Rogério Abrantes apela para “ser ouvido pelo governo” para evitar “a desertificação do interior”

O presidente da Câmara de Carregal do Sal, Rogério Abrantes, defendeu que encerrar um serviço público num concelho do Interior é condená-lo à desertificação, já que “vai ficando sem trunfos para fixar pessoas e empresas”.
“Fechar um tribunal ou uma repartição de finanças num concelho do interior não é o mesmo que fechar um serviço público em Lisboa. Com tantos encerramentos, qualquer dia começam a fechar concelhos no interior”, alertou.
Em declarações à agência Lusa, o autarca do PS lamentou que os concelhos do interior estejam a ficar sem trunfos para fixar pessoas e empresas.
“Queremos atrair empresas, mas como é que isso se faz se nos fecharem a repartição de finanças? Nenhum empresário vai querer fixar-se em Carregal do Sal se tiver que se deslocar a concelhos vizinhos”, lamentou.
Rogério Abrantes sublinhou que nos últimos tempos a vila de Carregal do Sal perdeu centenas de habitantes, especialmente os mais jovens, para concelhos do litoral ou para o estrangeiro.
“Queremos ser ouvidos antes que o interior fique condenado à desertificação total. O Governo disse que não ia encerrar nada sem ouvir os municípios e é isso que espero: que nos ouça e fique sensível a estes problemas do interior”, frisou.
Em janeiro, os autarcas de Carregal do Sal e de mais sete concelhos do distrito de Viseu assinaram uma moção conjunta a contestar o possível encerramento dos serviços de Finanças, que consideraram então ser “um ataque cerrado” ao interior do país.
A moção transmitiu a posição dos municípios de Carregal do Sal, Castro Daire, Mortágua, Nelas, Penalva do Castelo, Santa Comba Dão, Sátão e Vila Nova de Paiva.
Na terça-feira, o ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro, defendeu que a referência à data de final de maio para o encerramento de 50% das repartições de Finanças não é vinculativa e que tudo está ainda em discussão.
Poiares Maduro disse que o prazo de final de maio para o fecho de metade das atuais repartições de Finanças se deve apenas ao facto de ser essa a data do final do programa de assistência económico-financeira.
“Não há nenhuma novidade nessa matéria. Essa obrigação foi incluída no memorando de entendimento original, pelo anterior governo, e portanto não há novidade nenhuma”, declarou.

Agência Lusa

2 comentários a "Rogério Abrantes apela para “ser ouvido pelo governo” para evitar “a desertificação do interior”"

  1. que fazer, é o governo do 28 de maio

  2. Não sei muito bem se um empresário tem que ir pessoalmente às Finanças…parece-me que não, pode fazer tudo por internet. Mas o que sei é que esse empresário se instalaria no Carregal se tivesse reais vantagens…e essas vantagens são menos impostos. O que os Srs. autarcas deviam exigir ao Governo era a constituição de uma zona económica especial com o IRC a 5% e outros incentivos fiscais,especialmente isenção de tributação de dividendos. É necessário que se crie uma importante diferença nos custos de contexto, que devem ser muito mais baixos na nossa zona. Não precisamos de repartições de finanças, precisamos de investimento estrangeiro.

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