Luís Pinheiro e Mário Pires falam-nos das marcantes comemorações dos 500 anos do FORAL de Canas



Que importância atribuem a estas comemorações e a esta data marcante na história de Canas? 
Embora haja em Canas de Senhorim, ao longo de cada ano, uma visão renovada das datas comemorativas ou festivas próprias dos Canenses, a terra inteira, o todo, permanece fiel à imagem quinhentista que lhe ficou do alvoroço da sua demarcação territorial e, portanto, da sua emancipação política. Qualquer coisa de muito grande, distante e próxima, fundadora e rica, para onde se desterra a nossa esperança em último recurso – o Concelho de Canas de Senhorim. Já há 500 anos, foi pela sua força de trabalho que os canenses de outrora se libertaram, finalmente, dos amos e senhores de então e conquistaram a sua própria emancipação de cidadania. E, isso, à época, foi um acontecimento verdadeiramente extraordinário, pelos factos objetivos e pelas condições subjetivas decorrentes de uma determinada realidade social, a que esta Carta de Foral do rei D. Manuel acabaria por reconhecer e confirmar na sua plenitude. Com o decorrer das épocas, foram precisas muitas gerações, muitos séculos de teimosia e de afirmação humana nos campos, nas fábricas nas minas, por cima e por baixo desta terra, para que vingasse esta síntese humana tão perfeita e penetrante de todo o ser livre, a que a História viria justamente a chamar de «terra de homens livres». Nós, sendo legítimos netos dos nossos antepassados e filhos herdeiros dessa condição de homens e mulheres livres, conferida por todas as noções do valor do trabalho, e que ainda hoje regamos a mesma terra a suor, temos a obrigação de manter na redoma da lembrança, viva, não só como relíquia eternamente a sangrar, mas também como alvará para o nosso futuro, esta lição do passado.
A Junta conseguiu mobilizar as Associações Canenses para esta efeméride. Sinal da manutenção da grande vivacidade e vitalidade do Associativismo Canense? 
De facto, assim é. E sempre assim foi. Haja pretexto e aí temos um grupo de canenses a juntar-se, a organizar-se, a associar-se. Assim as nossas associações se vão multiplicando e crescendo. Com o passar do tempo, a maioria dos canenses acabam por se encontrar juntos em várias associações, porém – tendo todas elas objetivos e motivos diversos – existe sempre a mesma ligação e o mesmo apego em as manter vivas e atuantes na sua importância, por maior ou mais pequena que ela seja. É nesse associativismo permanente e genuíno, onde os canenses temperam a sua verdadeira fibra humana e toda a terra se banha no brilho de uma espécie de luz ancestral, que será possível erguer-se a alma destas comemorações. Ou seja, uma realidade coletiva em marcha, onde se semeia lombas ou costumes, ergue-se socalcos ou poesia, ceifa-se trigos ou músicas, preserva-se falas ou debates, mantêm-se usos ou danças, aprende-se o rifoneiro ou História, e onde o simples membro da mais pequena associação como, em simultâneo, se faz parte do conselho do povo. E é nessa riqueza Associativa que nos identificamos, mas também nos diferenciamos do restante contexto beirão, pois sendo como todos os beirões – dura e antiga gente de trabalho -, a génese do Canense radica essencialmente numa profunda tradição operária a partir  de meados do século XX. É por isso  que os canenses ainda hoje têm o costume de se juntarem todos os dias, ou para festejar, ou para lutar, ou até para comer ou brincar. E é juntos, nessa fonte do trabalho – que é a única coisa que sabemos fazer -, que se prolongam e vivificam as raízes do povo a esta terra, desde há 500 anos.

3 comentários a "Luís Pinheiro e Mário Pires falam-nos das marcantes comemorações dos 500 anos do FORAL de Canas"

  1. Luís Pinheiro – o verdadeiro poeta!

    Não foi pela altura das comemorações dos 800 anos de foral (1996) que se iniciou a luta pela restauração do concelho de canas?
    Vai voltar o machado de guerra?!

  2. para Canas Luis Pinheiro não existe, a história vai ignorá-lo, é um não assunto.

  3. não cai dinheiro….oprograma e as festas estão congeladas, falta muito dinhero, não é verdade senhor ex-presidente? sem papel v. exa vai zarpar
    boa sorte – faça um peditório pelo povo

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