Contas de 2013, chumbadas pela maioria PS, evidenciam nova degradação da situação económica do município de Nelas

– Embora em termos de liquidez (dada a reestruturação da dívida), a situação esteja neste momento mais confortável, com o próprio presidente da Câmara, Borges da Silva, a adiantar que a autarquia já está a efetuar muitos pagamentos a 30 dias e até a pronto pagamento, conseguindo obter descontos financeiros e restabelecer o crédito junto de todos os seus fornecedores
    Apesar da larga maioria da dívida da autarquia estar consolidada, com o empréstimo de médio longo prazo, contraído no âmbito da candidatura ao PAEL, em que mais de 14 milhões de euros (num passivo total de 20 milhões – um aumento ligeiro face a 2012), serão pagos durante cerca de 20 anos, a verdade é que o anterior executivo PSD/CDS-PP, liderado por Isaura Pedro, não conseguiu, em ano eleitoral, conter o aumento dos custos que passaram de cerca de 11 milhões em 2012, para 12,2 milhões em 2013, o que levou o prejuízo a agudizar-se novamente, para cerca de 2,4 milhões, enquanto os proveitos aumentaram (principalmente devido ao IMI, que registou um valor recorde de 1,5 milhões de euros) cerca de 700 mil euros, como enfatizou o vereador do PS, Adelino Amaral, que foi ontem o protagonista da reunião Camarária. Como é seu timbre, o líder da concelhia do PS, foi muito acutilante e assertivo na análise das contas, apontando mais uma vez o dedo ao anterior executivo, por ter “multiplicado por 4 o passivo da autarquia em 8 anos – em 2005 a Câmara de Nelas tinha um passivo a rondar os 5,2 milhões de euros, enquanto em 2013 era de 19,8 milhões – e isto com um custo elevadíssimo, pois os encargos com os empréstimo situam-se nos 9,2% o que é algo absurdo”, criticou, para, em tom fortemente acusatório para com o ex vice presidente, Manuel Marques, afirmar que “os senhores, à margem do rigor e do esforço financeiro do país, viviam alheados da realidade, num mundo à parte, acumulando em 8 anos prejuízos globais de 18 milhões de euros”. “O ativo líquido diminuiu, o investimento efetuado não chegou para repôr a depreciação do imobilizado e estas contas são o julgamento final dos anos de poder do PSD/CDS-PP : a despesa corrente voltou a aumentar em 2013 (26%) e a execução orçamental foi uma catástrofe”, atirou o vereador socialista, para elencar também algumas áreas “particularmente defecitárias” em termos de investimento  “em 8 anos apenas 656 mil euros para o ambiente – não chega a 100 mil euros/ano, e ainda os valores residuais para lares de idosos e habitação social – isto quando falavam que as pessoas estavam primeiro”. 

    Manuel Marques, vereador centrista, reagiu e saiu em defesa do executivo de que fez parte, afirmando que “nos executivos do PS, liderados por José Correia, nada foi feito pelo ambiente do concelho,  quando havia muitos fundos comunitários para o efeito e nós tentámos uma candidatura ao POVT, com o governo PS a dizer-nos que a comparticipação seria somente de 5%”. O vice presidente da autarquia, Alexandre Borges, clarificou que “a vossa candidatura nem sequer foi admitida a esse programa, porque estava mal elaborada – se estivesse bem instruída a comparticipação seria de 70%”. O autarca chamou ainda a atenção para “todos os investimentos que, com o PS no governo, foram feitos na recuperação ambiental das minas da Urgeiriça”. Manuel Marques fez questão de, mais uma vez, referir que “ficou um saldo de tesouraria de 900 mil euros – está evidenciado nas contas de facto um saldo de 908 mil em depósitos e caixa, em 31.12.2013 – para injetar na economia local, como o Sr. Presidente da Câmara tem referido : afinal a Câmara estava falida ou não ?”, tudo isto num tom crispado com Adelino Amaral, que lhe foi desferindo fortes ataques políticos. Assistiremos em breve a novo pacto de não agressão ?.  É que o registo entre Borges da Silva e Marques foi muito cordial nesta reunião, com elevação e algum humor à mistura, o que levou inclusive Manuel Marques a dizer “o sr Presidente, agora que fiz o pacto de não agressão, parece que arranjou um ponta de lança para me agredir”.  

   O presidente da Câmara destacou a “elevação” com que decorreu a reunião, mas não deixou de tecer algumas críticas à condução dos destinos do concelho, por parte da sua antecessora e elogiar a intervenção do vereador Adelino Amaral. Como é evidenciado no próprio relatório de gestão e foi sublinhado por Borges da Silva “a autarquia ultrapassou o seu limite de endividamento e tenho esperança que em 4 anos deixemos de estar nesta situação, para podermos retomar a nossa autonomia e virmos até a atuar em termos de desoneração fiscal sobre as famílias e empresas”. O edil reafirmou ainda que “conseguimos já crédito em todos os fornecedores – havia situações que nem 100 euros de crédito nos davam – e depois da situação de total rutura e agonia em 2012, em que nos deixaram uma herança muito pesada, com uma grande entorse –  os 120 mil euros mensais que temos que pagar de empréstimos à CGD e BCP – queremos recuperar económica e financeiramente a autarquia”.
   As conta de 2013 acabaram por ser chumbadas com os 4 votos contra do presidente da Câmara e dos 3 vereadores do PS.

1 comentário a "Contas de 2013, chumbadas pela maioria PS, evidenciam nova degradação da situação económica do município de Nelas"

  1. qual a consequ~encia do chumbo das contas? digam, digam lá ZERO 0000000 00000 000000 000

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