Alunos em GAP YEAR (África) fazem-nos o balanço da sua epopeia desde Khanimambo (Moçambique)

É do aeroporto de Maputo que fazemos um balanço final da nossa experiência nesta ex-colónia portuguesa.
Do Moçambique-cidade ficam-nos a publicidade pintada nas casas, o lixo, os Toyota, as vendas e os buracos na estrada, os chapas, a 2M (cerveja), a FRELIMO e a RENAMO…
Do Moçambique-rural, onde estivemos grande parte do tempo, ficam-nos as capulanas (lenço tradicional) e as suas cores, as mulheres que transportam tudo à cabeça, os bebés, as crianças pastoras, as vacas e as cabras, o matope (lama), o pó, o suor, os mosquitos, os bichos que não conhecíamos, as cheias, o Sol, o amanhecer, o changana (dialeto local), a terra, o verde, a shima, o feijão, o amendoim, a fruta exótica ao preço da chuva, a inexistência de água canalizada e eletricidade, a simplicidade, a genuinidade, a autenticidade…
Se, inicialmente, nos foi difícil adaptar a esta realidade, agora, deixamo-la com algum custo. Durante estes três meses, tivemos a oportunidade de, enquanto voluntários, trabalhar com crianças órfãs. A sua espontaneidade e o isolamento a que estávamos sujeitos criou entre nós uma relação muito próxima, com a partilha de carinho, amizade, afetos e valores. Desta forma, a despedida foi bastante complicada…
Foi também durante esta experiência de voluntariado que compreendemos melhor a hospitalidade deste povo, através de visitas às famílias da comunidade. Chegados aos espaços de areia onde se acumulam as palhotas, éramos recebidos com cadeiras de plástico e convidados a sentar, enquanto os anfitriões se acomodavam no chão; algo inconcebível no Mundo ocidental.
Por tudo isto, esta foi uma experiência que nos marcou e mudou de uma forma que ainda não conseguimos percecionar.
Moçambique é, ainda, conhecido pelas suas praias incólumes e paradisíacas. Foram poucas as vezes que mergulhámos no Índico, tanto pela dificuldade na deslocação, como pelo pouco tempo livre; o que nos deixa algo desgostosos.
Este país é em tudo diferente do nosso, a começar pelo aperto de mão e a terminar na despedida – “Tamos juntos!”. Vamos ter saudades…
Na altura de refletir, percebemos a sorte que temos por ter nascido em Portugal e que os nossos problemas são triviais quando os vemos a partir desta realidade.
Khanimambo Moçambique! (Obrigado Moçambique!)

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