João Rego elogia o trabalho do novo executivo PS mas faz notar que “não concordo com algumas escolhas políticas e não sou um yes man”

– À MESA na TABERNA DO CHEF com o empreendedor de Santar

   João Rego é um empreendedor nato. A viagem que iniciou há pouco mais de 3 anos no mundo dos vinhos, ganha maior relevância e prestígio, concretizando “um sonho de menino”, como nos confidenciou. O seu mais recente “blend” FIDALGAS de SANTAR Reserva 2011, é um verdadeiro porto seguro nessa viagem. Obtido a partir das castas tintas tradicionais do DÃO, com predominância para a Touriga Nacional (numa produção de 3 600 garrafas, com estágio em barricas novas), fomos harmonizá-lo com uma vitela à padeiro, na TABERNA do CHEF, em Nelas, em mais um À MESA COM …
   Depois de petiscarmos umas petingas em molho de escabeche e um queijo curado acompanhados pelo Fidalgas de Santar Branco 2012 – também ele um “blend” de encruzado e malvasia fina – o mesmo vinho acompanhou-nos na viagem até um salmão fresco grelhado com legumes salteados com que o Chef Francisco Valença nos presenteou de forma irrepreensível. O toque Português, combinado com um peixe de águas profundas e frias do mar do Norte, gordo e suculento, com textura aveludada, foi combinado de forma magistral com o néctar Branco. Enquanto falávamos de vinhos e do Dão (o empresário acredita que o Dão e a agricultura em geral, depois de uma fase menos boa, está com um dinâmica fantástica, atraindo inclusive cada vez mais jovens), iniciámos a degustação do Reserva de 2011 – um vinho com um grande caráter e elegância, com aroma exuberante a frutos maduros frescos e notas de baunilha, macio e com um fim de boca persistente. Os taninos pujantes do Dão, oriundos de castas nobres e de solos graníticos, fazem dele um vinho com grande aptidão gastronómica, mas também com uma delicadeza que o tornam apetecível sem gastronomia. Em suma – um vinho muito versátil e que, mais uma vez, tem uma excelente relação preço/qualidade: estamos na presença de um néctar de excelência a um preço de 6 euros. “O nosso objetivo é continuarmos num patamar de produção de 50 mil garrafas por ano, situados numa gama média/alta”, adianta-nos, acrescentando que “não é nosso objetivo entrar na grande distribuição, mas antes explorar nichos de mercado, principalmente na exportação, designadamente o chamado “mercado da saudade” e isto numa lógica “de esperar que o vinho ganhe qualidade com o tempo, em garrafa”, ou seja, uma estratégia assente no médio/prazo, pois “este é o meu investimento pessoal”, diz-nos, considerando que Nelas “tem condições de micro clima, solos e castas, para ter uvas de grande qualidade”. Instado a dar a sua opinião sobre o possível destino a dar às antigas instalações da Federação Vitivinícola do Dão, contíguas à Praça do Município, numa área nobre da vila, defende “a instalação ali de uma escola profissional direcionada para a agricultura e vitivinicultura, que traria muito dinâmica ao concelho”. A reabilitação daquele espaço, no coração de Nelas, é assim “primordial”, sustenta, considerando que “a autarquia, em parceria com uma escola, tem todas as condições para colocar ali 100 ou 200 alunos”, reconhecendo ser um “problema a falta de trabalho qualificado no concelho”.
   Azeite, queijo serra da estrela, mel e compotas são alguns outros produtos endógenos que irá lançar em Abril, na sua loja “gourmet”, situada na EN 231, em Casal Sancho, também com o rótulo Fidalgas de Santar – todos os produtores são do concelho de Nelas – com o intuito de “promover uma região e em particular a valia histórica e os produtos de Santar e do concelho”, num eixo rodoviário por onde passam dezenas de milhares de pessoas, todos as semanas. Seguindo o lema de que “não se devem colocar os ovos todos no mesmo cesto”, o empreendedor prepara-se para arrancar com outro investimento de excelência, dando-nos conta ao mesmo tempo “que na minha principal área de atividade – os transportes – estamos a crescer”. Trata-se de uma unidade de alojamento 5 estrelas (o primeiro no concelho) a instalar na Casa Maial, nas Caldas da Felgueira, num entorno único com a natureza – um investimento em que vai apostar fortemente, apesar de reconhecer que “a Felgueira nos últimos anos tem definhado bastante, pois foi completamente votada ao abandono nos últimos anos e parece-me que a situação da Companhia das Águas também não tem corrido muito bem, com o Grande Hotel a passar também por uma fase complicado e eu penso que a Felgueira, que é uma pérola, que muitos concelhos gostariam de ter, está a perder a dinâmica”. Com este investimento, João Rego espera contribuir para a retoma do desenvolvimento na estância termal. A unidade de alojamento terá 19 quartos, um SPA – com valências na área de saúde e bem estar – abrangendo um nicho de mercado, que está mal explorado na Felgueira, que diz respeito a tratamentos de saúde como a fisioterapia, por exemplo. A obra deverá arrancar em breve, estando a abertura prevista para Março de 2016. 
   Entrámos depois numa abordagem política genérica, sobre os primeiros 6 meses de mandato do seu amigo de longa data, José Borges da Silva, com o qual mantém uma relação quase que “umbilical”. João Rego foi um dos seus mais entusiásticos apoiantes, tendo sido o seu diretor de campanha. “Faço uma balanço muito positivo da atuação deste executivo pese embora não concorde com tudo o que este executivo tem feito, nomeadamente em questões de escolha política, mas obviamente reconheço legitimidade e capacidade ao atual executivo para que assim seja”.
   O empresário revelou-nos que “como sabe lutei muito para ajudar a eleger este executivo e estou muito feliz por o ter feito, mas jamais serei um “yes man” e o Presidente sabe bem com o que pode contar da minha parte: amizade para mim tem que incluir sempre frontalidade, eu não bato nas costas de ninguém em função do cargo que ocupa, pelo que estive e estarei ao lado do José Borges da Silva de uma forma desinteressada a apontar o dedo sempre, para o bem e para o mal”.
   
“Este executivo tem todas as condições para fazer um excelente mandato, o primeiro de vários sem margem para dúvidas, pois estamos na presença de gente trabalhadora, com ideias e vontade de muito fazer pelo concelho e tenho a certeza que o Dr. Borges da Silva ficará para a historia como um grande Presidente de Câmara, como alguém que de alma e coração muito deu pela sua terra de forma honesta e desinteressada, conseguindo inverter um trajeto de declínio, trazendo de novo esperança às gentes do concelho”, concluiu João Rego.

1 comentário a "João Rego elogia o trabalho do novo executivo PS mas faz notar que “não concordo com algumas escolhas políticas e não sou um yes man”"

  1. Caro Sr. João Rego,
    Concordo consigo que este executivo(Dr. Borges da Silva mais precisamente) "tem todas as condições para fazer um mandato excelente", mas não concordo que tenha dado algo de relevante ao concelho( a palavra "terra" é muito restritiva, prefiro concelho), antes pelo contrário, acho que até aqui dividiu para vir a governar!
    Pode-me dar um exemplo do que é que ele fez importante para o concelho antes de ser eleito Presidente?

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