André Alves, João e Tomás Ambrósio continuam a sua saga no Gap Year em ÁFRICA

– No âmbito do projeto GAP YEAR Fundação Lapa do Lobo, os jovens André Alves, João Ambrósio e Tomás Ambrósio, continuam a sua epopeia pelo continente Africano, vivenciando um mundo díspar e exótico, agora no Lusófono Moçambique de tanto misticismo
O seu projeto é o Gap Year Levado ao(s) Extremo(s) e a sua viagem envolve uma panóplia de vivências, que passam pelo enriquecimento intelectual, pelo confronto com outras culturas, pela vivência sem os “luxos” diários e pelo voluntariado.
Em Novembro, deixaram Portugal e à boleia viajaram até ao Sul de Espanha. Seguiram para Marrocos e, depois de trabalharem no deserto do Sahara, partiram para a África do Sul. Neste momento, estão em Moçambique, a fazer voluntariado com crianças órfãs.
   Têm vindo a relatar as suas aventuras via blogue (www.levadosaoextremo.tk) e via facebook (www.facebook.com/gapyearlevadoaosextremos). Aqui deixamos um dos seus relatos mais marcantes : 
Happy hour em Chinhacanine
Estamos em Chinhacanine. O nome diz tudo! Os trilhos acidentados que nos separam da cidade mais próxima tornam-se grades que nos condenam ao isolamento.
Seja pelos buracos, seja a tentar evitá-los, quando nos deslocamos, não paramos de ser sacudidos. Esta região é gravemente afetada por cheias, tendo as do último ano causado inúmeros danos, sobretudo nas estradas.
O nível de água da última catástrofe aproximou-se do topo das casas. Infelizmente, foram poucas as que resistiram, uma vez que a maior parte da população vive em palhotas, feitas de capim e matope.
É-nos muito difícil imaginar áreas completamente submersas, talvez por pouco tempo, pois esta zona está em alerta amarelo. E como se as cheias não bastassem, estamos no distrito de Moçambique onde há mais mortes devido à malária.
A adaptação a este mundo está a ser árdua. Estar à distância e saber que não há água canalizada, que a eletricidade é inacessível, que há doenças como o SIDA e que o calor é insuportável, é bem diferente de enfrentar estas realidades no terreno.
As diferenças não se ficam por aqui, também o conceito de família é distinto do nosso. Como resultado da prática usual de poligamia, as famílias são muito numerosas e as relações familiares complexas. Habitualmente, as crianças não vivem com os pais, ou porque estes morreram ou porque as abandonaram. Os pastores de 5 anos são exemplo da precocidade com que as crianças começam a trabalhar. Ainda adolescentes são obrigadas a abdicar do seio familiar, ficando entregues a si próprias.
Com o propósito de combater esta realidade e ajudar a comunidade onde estamos inseridos, somos voluntários no Centro Renascer P’ra Esperança, cuja principal missão é proporcionar alimentação e educação às crianças locais. Tudo isto com a Organização Não Governamental Um Pequeno Gesto. A nossa intervenção passa pelo ensino e entretenimento. 
É muito reconfortante ver como simples brincadeiras têm um impacto tão positivo nas crianças, marcadas pela falta de afetos e carinho.
Quando anoitece, o calor continua insuportável e, de roupa sempre colada ao corpo, não conseguimos fazer nada. A falta de alimento não é uma preocupação para os mosquitos: estamos cá nós! Mesmo com redes mosquiteiras, passamos a noite em sofrimento, já que eles entram por todos os lados. Quando o calor ou a claustrofobia nos obrigam a arrancar a geringonça, é a happy hour dos mosquitos e aí, sim, somos comidos vivos.

Este portal utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização Saiba mais sobre privacidade e cookies