Som mais potente, Quim Barreiros e 15 mil foliões no CARNAVAL de Cabanas

Uma das mais antigas tradições carnavalescas do país –  a “dança dos cus”,em Cananas de Viriato, vai mais uma vez animar as ruas da localidade, onde são esperados mais de 15 mil visitantes.

Ali os foliões não dançam ao som do samba brasileiro, mas sim de uma valsa secular que todos os anos leva milhares de pessoas para as ruas, onde os famosos “cabeçudos” também desfilam e dançam.
Este ano, a valsa vai ouvir-se ainda mais claramente, uma vez que a organização decidiu investir cerca de 15 mil euros na renovação do sistema de som.
“Modificámos todo o sistema de som, quer ao nível da potência, quer dos carros de som, que foram feitos novos”, disse à agência Lusa Fernando Campos, da Associação do Carnaval.
A organização prevê que, além deste montante, sejam ainda gastos mais cerca de 30 mil euros na programação do Carnaval, que inclui um concerto de Quim Barreiros na sexta-feira e um “jantar de fantasia na tenda louca”, no sábado, entre outras iniciativas.
A valsa secular começa a ser ouvida na tarde de domingo, dia dedicado às crianças, que assim se iniciam na “dança dos cus”. Na segunda e na terça-feira, os adultos repetem-lhes os passos.
Ao som da valsa, alinhados em duas filas, os foliões vão dançando pelas ruas da vila, batendo com os traseiros nos dos vizinhos do lado quando há uma variação do ritmo. Apropriadamente, a centenária tradição, que remonta a 1865, ficou conhecida como “dança dos cus”.
A entrada é gratuita, sendo a única receita proveniente do que os visitantes decidirem dar pelo autocolante que lhes é colocado na lapela.
Fernando Campos espera que as previsões se cumpram e não chova nestes dias. 
“O som da valsa arrepia, tranquiliza o coração e humedece os olhos”
 – José Sousa Batista, Vice Presidente da Câmara, tem o carnaval da sua terra natal no coração.
Qual a importância que atribui às festividades do Carnaval de Cabanas de Viriato?
O Carnaval de Cabanas de Viriato constitui, para o Município, um dos expoentes máximos da nossa identidade cultural. Devido à sua originalidade e encanto atrai milhares de pessoas ao Concelho e, simultaneamente, leva longe o nosso nome. Cartaz único no panorama local, regional e nacional é bem o símbolo de uma tradição popular que o povo acarinha, enaltece e valoriza, participando.
Pessoalmente, como natural de Cabanas de Viriato, embora não assuma um espírito avassaladoramente carnavalesco, o Carnaval suscita um sentimento bem especial: o som da valsa arrepia, tranquiliza o coração e humedece os olhos. Está-nos umbilicalmente ligado.
Quais os apoios que a autarquia concede para a sua organização? 
Dizer que as dificuldades da autarquia são muitas e limitativas em termos de apoios a conceder, embora soe a frase feita, reflete a realidade. Porém e apesar dos cortes de que foi alvo o Município, foi decisão deste novo executivo manter “o bolo financeiro” concedido no último ano às Associações do Concelho. A Associação do Carnaval de Cabanas de Viriato não foge a esta regra e, pese embora não esteja ainda totalmente definida a verba a atribuir, pensamos que a mesma se cifrará no montante recebido no ano anterior. Para além disso, a autarquia tem colaborado e irá colaborar com a cedência de alguns equipamentos e serviços especificamente solicitados pela Associação do Carnaval.
Quantos visitantes são esperados para este ano, quando teremos muitas novidades? 
Como é do conhecimento geral, a organização e o enquadramento prático da programação do Carnaval de Cabanas de Viriato é da responsabilidade da Associação do Carnaval de Cabanas de Viriato, em articulação estreita com a Sociedade Filarmónica de Cabanas de Viriato e com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cabanas de Viriato. Permita-me, aliás, salientar e enaltecer o facto de que se há evento com uma parceria efetiva entre associações, o Carnaval de Cabanas de Viriato é um bom exemplo.
Relativamente ao número de visitantes esperados, enquanto munícipe e cabanense, espero, para o bem do Concelho, que atinja um número imponente. Contudo, pelos motivos óbvios, não me atrevo a dar uma estimativa desse número.

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