Bairro da Igreja e Cimo do Povo com menos recursos preparam o Carnaval de Nelas com o brilho de sempre

A dois dias do carnaval, ultimam-se os preparativos nos bairros de Nelas, para mais um desfile que promete encher de cor, música e animação as ruas da Vila. Para o Cimo do Povo e Bairro da Igreja, a regra dominante é a dos três r’s -“reciclar”, “reutilizar” e “reaproveitar”- são estas as palavras-chave deste Carnaval, marcado pelas dificuldades financeiras.
Este ano, os habituais desfiles carnavalescos irão percorrer as ruas de Nelas nos dias 2 e 4 de março, mais uma vez. Para que os carros alegóricos, fatos e foliões possam animar mais um carnaval, antecede-se um longo trabalho que tem sido realizado pelas Associações durante os últimos meses. Colas, tecidos, esferovite, madeira, são apenas exemplos da diversidade de materiais necessários para criarem o cortejo que sairá em março.
A conjuntura económica de Portugal também se repercute no Carnaval, diminuindo os apoios financeiros. «Nós agora trabalhamos com orçamentos baixos. Passámos de 25 mil euros (com que se trabalhava há 3 anos atrás) para 7 mil e 500 euros. Por isso, optámos pelo reaproveitamento e pela reciclagem» refere Paulo Cruz, artista plástico responsável pelos carros alegóricos do Bairro da Igreja. Paulo explica que esta reciclagem se baseia em «reaproveitar a esferovite antiga e aplicá-la em outros carros».
Porém, os cortes não demovem a vontade de dezenas de pessoas que ajudam diariamente na elaboração do carnaval. Algumas delas já colaboram com a criação dos desfiles desde que estes surgiram em Nelas. É o caso de Maria Odília Moreira que sempre gostou de trabalhar no carnaval do Cimo do Povo, com a tarefa de idealização e concretização dos fatos, por ser muito imaginativa. Maria refere que, devido à crise, «estamos numa altura de reciclagem porque o dinheiro é pouco. Reciclamos fatos que já saíram há alguns anos atrás». Maria Moreia sente-se confiante e avisa que se pode esperar um carnaval em boas condições, desde que a meteorologia assim o permita.
No bairro oposto, Maria Fernanda Minhoto também colabora «todos os dias e todos os anos» nas confecções dos figurinos do Bairro da Igreja. Como motivos principais destaca o «bairrismo» e a luta para que a vila de Nelas «não fique parada como ultimamente tem estado”. Quanto a expectativas, “o tempo é que vai mandar, mas nós estamos a dar o nosso melhor para que este seja um bom carnaval…pelo menos trabalhamos para isso».
Os carros do Cimo do Povo são realizados genericamente pelas mãos de António Rico, que também trabalha no Carnaval desde do início. «O que me motiva a colaborar neste carnaval há tantos anos é chegar ao dia do desfile e termos o carnaval dentro das melhores condições de perfeição», refere enquanto retoca um carro alegórico.
Presidentes das Associações fazem apelo à população
Os presidentes dos dois bairros queixam-se da falta de adesão por parte da população. São cerca de vinte as pessoas envolvidas na elaboração do carnaval no Bairro da Igreja, um número que para o presidente Pedro Figueiredo o «entristece muito», por se tratar de um evento com extrema importância para o concelho e no qual a população adere pouco, destacando que gostaria que mais pessoas se juntassem ao Bairro da Igreja e que ajudassem.
No bairro ‘rival’, o presidente Carlos Amaral desabafa igualmente que conta apenas com cerca de 15 pessoas para realizar todo o trabalho, o que «é muito pouco».
Os problemas financeiros com que as Associações se têm deparado também dificultam a realização do Carnaval. O presidente do Bairro da Igreja destaca os problemas têm sido superados com a entreajuda de todos, pois o dinheiro que recebem «não chega para aquilo que a gente gasta».
O presidente do Cimo do Povo refere que estes problemas já se alastram há vários anos. «Temos reivindicado em reuniões com a Câmara para que a situação se modifique pois o carnaval está a perder qualidade, o que consequentemente faz com que se alastre e faça com que o Concelho também perca qualidade», pois este evento promove a Vila de Nelas, fornecendo-lhe visibilidade. «Nós promovemos um evento em que cada vez mais as pessoas estão a fugir das tradições(…) as pessoas que estão fora das associações deviam vir ao nosso encontro» uma vez que com a criatividade delas poder-se-ia fazer mais e melhor, pois «com pequenos gastos podem-se fazer grande coisas, basta ter imaginação».
Meteorologia condicionará sucesso do Carnaval 
Os presidentes das Associações salientam a importância do bom tempo para ditar o sucesso do desfile carnavalesco. Para o presidente do Bairro da Igreja, são necessárias boas condições meteorológicas para poderem «mostrar o trabalho que está aqui feito, o resto vem por acréscimo». «O tempo torna todas as expectativas numa incógnita, pois não sabemos se o carnaval sairá à rua.», afirma o presidente do Cimo do Povo. 
Ainda assim, as Associações contam com centenas de foliões inscritos até ao momento. O Bairro da Igreja sairá com 6 carros alegóricos e 3 de música, enquanto que o Cimo do Povo contará com 5 carros alegóricos e 3 musicais.
Texto : Inês Borges
Fotos : Luís Costa

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