Touriga Nacional, o Dão como baluarte de uma casta … internacional?

Nos últimos anos a comunicação da diferença do sabor do vinho português,
teve na Touriga Nacional uma espécie de porta-estandarte.

A real
qualidade dos vinhos feitos com esta casta, proporcionou, que esta variedade se
tenha espraiado, das suas zonas mais clássicas, Dão, Douro, Bairrada, para
outras paragens nacionais, onde conquistou bastantes adeptos.

Para os
mais conhecedores, a Touriga Nacional do Dão é a mais distinta e personalizada
e de facto assim creio também, apesar de ver alguns vinhos do Dão com Touriga
Nacional mais potentes e, por vezes, mais “modernaços”.

O
interessante, é que mesmo assim, a distinção das Tourigas do Dão se mantêm,
pois os equilíbrios naturais proporcionados pelo “terroir” das terras do Dão,
conseguem esse compromisso de deixar sempre intocáveis a assinatura da Touriga
do Dão. Em outras paragens, os sabores da Touriga, muitas vezes até poderiam
ser de outra casta.

Bom, essa
reputação levou-a a ser plantada fora das nossas fronteiras.

Recentemente
em França, a Touriga Nacional, para além de outras, foi admitida como casta
autorizada. Ora, este facto não deixa de ser um elogio à qualidade da casta,
ainda mais acontecendo em França. Outros países a plantam e tal como outros a
plantarão. Significa que o Dão, a Touriga Nacional do Dão, poderá ser o
baluarte da originalidade que muitos tentarão imitar. Irão ter esta como
referência. Foi o que aconteceu com a Pinot Noir. Outros países, a tentaram
reproduzir, usando o modelo da Borgonha, sem nunca atingir esse patamar de
personalidade.

Assim, o
Dão poderá ser o equivalente para a Touriga Nacional. Poderá ser a fonte de
inspiração estilista, para os outros países, na procura da autenticidade da
Touriga Nacional.