Bons Vinhos e … sem barrica

No passado Sábado, convidado a estar presente numa iniciativa bloger,
tendo os vinhos do Dão como tema e, especialmente, as diversas personalidades
da Touriga Nacional, voltei a ter contacto com um vinho que me recordou que as fórmulas
para atingir a qualidade podem ser bem fora do chamado mainstream. Nesta prova, estavam presentes muitos dos belíssimos
vinhos da região, assentes na Touriga Nacional, onde as diferenças testemunham
o potencial dos chamados  terroirs da região.  Ao fazer uma ronda pelos vinhos, (cheguei
tarde devido a outros afazeres), voltei a provar os vinhos tintos da Quinta do
Escudial.

Produtor
este que se mantém fiel a um princípio de fazer o melhor vinho possível sem
recorrer ao uso da madeira no processo de produção dos seus vinhos.

Ora,
eu que não acredito em fundamentalismos, de este ou aquele vinho só podem ser
bons se levarem isto ou aquilo, ou serem feitos desta ou daquela maneira, fico
agradado com o facto de, por um lado, ver que quem usa a barrica o faz com
maior critério no que respeita ao balanço e harmonia do vinho, assim como quem
não usa e consegue atingir igualmente patamares elevados de qualidade.

É
óbvio que os vinhos serão diferentes, há quem diga que são mais … puros. Não
alinhando nestes argumentos, porque falta fundamentação a esta linha de
…pureza, gostei da diferença e da qualidade. Vinhos deste produtor que se
mostram com estrutura e elegância, assim como mostrar argumentos de
longevidade. Será certamente a garrafa a esculpir estes vinhos ao longo do
tempo e conferir a consentânea complexidade, pelo que terei muito gosto e
curiosidade de ver como se portam ao fim de uma década, por exemplo.
Verdadeiramente gastronómicos por natureza, estes vinhos acrescentam mais
possibilidades à já notável versatilidade do Dão à mesa. Ah, existe um “trend”  de gosto internacional que aprecia estes
vinhos não “tocados” pela barrica.