Eurico Amaral com o DÃO no coração foi um grande empreendedor na região demarcada

– O visionário Presidente da Câmara de
Nelas, nos anos 50, quando os autarcas não eram remunerados, criou o Centro de
Estudos Vitivinícolas do Dão e a Adega de Nelas (Cooperativa).

Natural de Vilar Seco, foi cedo que
Eurico Amaral foi convidado para exercer cargos políticos. Estávamos nos anos
50 e depois  de concluir o curso de
Direito, foi assessorar o Ministro das Colónias, do governo então liderado por
Salazar. Após a abertura em Angola da Junta de Exportação, o Ministro nomeou-o
diretor dessa estrutura em Luanda. Eurico Amaral não hesitou, pois estas
funções desde logo representavam um excelente arranque de carreira. Tinha então
cerca de 30 anos.  Mas a sua invulgar
capacidade de trabalho, dinâmica e espírito reformista, desde logo esbarraram
com o governador da antiga colónia Portuguesa, com quem começou a divergir.
Decide então voltar a Portugal, quando surge a oportunidade de um regresso às suas
origens, num concurso para Conservador do Registo Civil de Nelas e vem ocupar o
lugar. Pouco tempo depois é desafiado pelo General José Tavares, um conhecido
Nelense por quem tinha grande admiração, para liderar a Câmara de Nelas. Na
época, sublinhe-se, os presidentes de Câmara não eram remunerados, o que
transformava o exercício do cargo numa verdadeira missão. A sua capacidade
empreendedora, aliada a um notável apego às suas raízes, motivaram-no para
aceitar o desafio. Foram vários os projetos que idealizou e concretizou no
concelho, com grande impacto na região. A sua paixão e ligação à
vitivinicultura, levaram-no a frequentes viagens a Bordéus nas férias, para ali
“beber” experiências bem sucedidas. Bordéus, era (e ainda é) uma
autêntica escola vitivinícola. Mentor da Cooperativa Agrícola de Nelas (a mais
antiga da região), da qual foi sócio número 1, Eurico Amaral, um visionário e
grande apaixonado pelo Dão, desde logo considerou fundamental a existência de
uma instituição que estudasse as castas da região, os seus solos  e fizesse experiências, com visto ao seu
melhoramento e projeção. A sua ação esteve assim indelevelmente ligada à
criação do Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão, instalado na Quinta da Cale,
em Nelas. A ideia era projetar e dar a conhecer o grande potencial do Dão
também a nível internacional. A sua capacidade negocial e a forma como na época
se movimentava nos corredores do poder, foram determinantes para trazer para
Nelas o Centro, através de verbas atribuídas pelo governo central. Recorde-se
que na época já existia em Viseu a Estação Agrária, logo só exercendo uma
grande influência se poderia trazer para Nelas o Centro que veio a ser
determinante para a evolução qualitativa dos vinhos na região.Foi ali que a
Touriga Nacional veio a ser exaustivamente estudada – tendo sido uma grande
aposta do seu primeiro diretor, Alberto Vilhena. Foi depois indicado pelo
centro que qualquer vinho tinto produzido na região deveria ter pelo menos 50%
desta casta nobre, que terá nascido em Tourigo – Tondela. Estando também
idealizado para um segunda etapa, o Centro de Enologia acabou por não se fazer,
devido a uma disputa com Viseu, o que fez com que (criada uma comissão para
estudar a sua localização ideal na altura) não saísse do papel, embora o montante
necessário estivesse disponível para o efeito.

Resta acrescentar que nos apenas 4 anos
em que esteve á frente da autarquia, ainda criou a Cooperativa dos
Olivicultores, construiu o Complexo Desportivo (onde está o Estádio Municipal)
e o Cine-Teatro. Fez a estátua do escanção e foi ainda dele a ideia de associar
a imagem do concelho a CORAÇÃO do DÃO – nos primeiros postais turísticos feitos
no concelho, pela Junta de Turismo das Caldas da Felgueira, quando Eurico
Amaral foi o seu responsável, apareceu pela primeira vez esta expressão.

2 comentários a "Eurico Amaral com o DÃO no coração foi um grande empreendedor na região demarcada"

  1. gostei de saber
    e que diferença entre estes grandes homens do passado
    e estes aprendizes de feiticeiros de agora agarrados aos taxinhos
    pelos quais lutam que nem danados
    como se não houvesse amanhâ
    outros tempos
    outras gentes

  2. Em 4 anos fez mais de graça, do que os outros, em 8, pagos a peso de ouro.

Os comentários estão fechados.

Este portal utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização Saiba mais sobre privacidade e cookies