Sofia Alves sem encenações.

Sofia Alves, uma
das principais atrizes Portuguesas, acaba de completar 20 anos de carreira. Aos
39 anos a mais famosa moradora no concelho de Nelas, mais propriamente na Lapa
do Lobo (no Solar dos Pinas) acaba de ser distinguida com o Troféu
Personalidade do Ano no Baile da Rosa.
Aqui a apresentamos na
primeira pessoa, numa tertúlia sem encenações.
Porque
escolheu a Beira Alta para residir ?
            O meu marido, Celso Cleto, tem toda
a sua descendência paterna nesta zona específica que vai desde Cabanas de
Viriato a Oliveirinha, Oliveira do Conde, Carregal do Sal e Canas de Senhorim.
Temos
muitos primos e tios residentes nesta zona. Tanto para mim como para ele esta é
mesmo uma das zonas mais belas de Portugal e, por isso, a nossa opção tinha de
passar por aqui.
            É evidente que a crise que assola o
país nos últimos anos tem dificultado a nossa mudança radical para o concelho,
mas espero muito brevemente que as coisas melhorem, que acabemos as obras da
casa e que todos me possam ver diariamente às compras no comércio local. Neste
momento ainda estamos na fase do vai e vem, apesar das crianças já estarem
praticamente a residir diariamente no concelho.
           
Que
importância atribui à ação da Fundação Lapa do Lobo ?
           
            Tenho acompanhado, infelizmente
ainda com alguma distância, em virtude da minha atividade profissional, o
trabalho notável que a Fundação Lapa do Lobo tem desenvolvido. É de fato de
louvar o trabalho da família Cunha Torres.
            Por curiosidade temos amigos comuns
em Lisboa e antes de nós termos decidido vir para a Lapa do Lobo já conhecíamos
o trabalho que estava a ser realizado pela Fundação. Faço votos que continuem a
desenvolver este projeto sociocultural que tanta falta faz e, pena tenho que
não apareçam mais projetos destes um pouco por todo o país.
A vocação
artística/cénica corre-lhe nas veias desde cedo ?
           
            Comecei a minha carreira aos 17 anos
com o realizador Manoel de Oliveira no filme Vale Abraão, a partir daí descobri
que a minha vocação era ser atriz e já lá vão mais de 20 anos neste vai e vem
de personagens onde umas marcaram mais do que outras mas a minha grande paixão
é o teatro. Posso considera-lo mesmo a minha segunda casa.
            Tenho tido algumas possibilidades de
trabalhar em teatro no estrangeiro que muito me tem realizado e, vou
confessar-vos em primeira mão que dentro da quinta guardo alguns metros
quadrados para fazer um pequeno estúdio para poder vir a gravar peças de teatro
para televisão. Mas como disse há pouco, este país está envolto numa grande
crise e, não sabemos muito bem o que se passará nos próximos tempos, portanto
fica o sonho e a promessa de que assim que haja possibilidades financeiras,
terminarei as obras e iniciarei a construção desse pequeno estúdio com cerca de
400 metros quadrados, o que é suficiente para a gravação de peças, mas como vos
disse e reforço, faz tudo parte ainda de um sonho e de uma luta como qualquer
pessoa que ama a sua profissão e que vive de um salário.
Quais os
trabalhos que mais a marcaram nestes 20 anos de carreira ?
           
            Sei que gostava que lhe dissesse
quais os trabalhos que mais gostei de fazer mas o público é que os elege  eu limito-me a dar a cada personagem o melhor
de mim.
Os
bastidores para mim são locais de preparação e concentração. Mal do ator que vá
para os bastidores com invejas ou tricas, nunca virá a ser um bom ator
profissional.
O recente
troféu de personalidade do ano no Baile da Rosa foi mais uma justo
reconhecimento da sua notável carreira ?
      
            Todos os prémios de carreira que
tenho recebido são sempre prémios que me estimulam, que me fazem acreditar que
vale a pena continuar nesta profissão.
Nestes
últimos dois anos recebi quatro troféus de carreira que juntei a outros que
ficam muito bonitos na minha sala de trabalho na Lapa do Lobo, tal como, irei
juntar este último do Baile da Rosa onde fui distinguida como Personalidade do
Ano na área da Cultura. São troféus que guardo com o maior respeito e carinho,
mas confesso que neste último senti uma grande emoção quando vi o meu colega
Ruy de Carvalho fazer-me a grande surpresa de ser ele a entrega-lo no Coliseu
do Porto. Foi um grande prémio e uma enorme alegria porque tenho por este ator
um grande respeito e carinho, até porque foi com ele que me estreei como atriz.

2 comentários em “Sofia Alves sem encenações.”

  1. São Pessoas como esta que queremos no nosso Concelho, que tragam Riqueza Cultural e Humana, Parabéns .

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