AZU denúncia à Comissão Europeia o crime ambiental na Ribeira da Pantanha

– Foi uma iniciativa bem sucedida a que a AZU (Associação
Ambiental para as Zonas Uraníferas) promoveu no passado fim de semana – a
caminhada pela Ribeira da Pantanha, desde a Urgeiriça até à Felgueira.
 “A poluição da
Ribeira da Pantanha, contaminada por efluentes industriais da empresa
Borgstena, inutilizou o trabalho de despoluição e recuperação feito no âmbito
do projeto de recuperação ambiental da Urgeiriça, onde se gastaram cerca de 10
milhões de euros e no caso concreto 2 milhões euros em Valinhos”, refere a
Associação em nota de imprensa que fez chegar à nossa redação. Os
ambientalistas enfatizam que “a AZU, ao longo dos últimos 5 anos, tem
vindo a tratar este assunto junto do Ministério do Ambiente, que levantou
processos de contra-ordenação e aplicou coimas à Borgstena. Nas diversas
reuniões que a AZU tem tido com os responsáveis da Borgstena, estes, ao mesmo
tempo que assumiram as responsabilidades da empresa, sempre se mostraram
disponíveis e interessados em alterar toda esta situação. Para isso, entre
outras medidas, substituíram a empresa responsável pelo tratamento de resíduos,
investiram em novos filtros, realizaram obras na ETAR e adquiriram novas bombas
para circulação das águas residuais. Desse empenhamento é a AZU testemunha, bem
como os vários ofícios enviados ao Ministério do Ambiente propondo-se a alterar
a situação”.

Lembrando que “em face do avultado custo de uma ETAR, a
Borgstena e a Câmara Municipal de Nelas acordaram partilhar responsabilidades
na realização desse projeto, ficando a empresa de fazer uma parte das obras
necessárias na sua ETAR e a Autarquia a construção de um sistema para
tratamento final dos efluentes industriais. Porém, a parte da Câmara Municipal
de Nelas não avançava, o que levou a AZU a reunir com o Executivo Camarário
diversas vezes”. Apesar da autarquia de Nelas ter investido Câmara 150 mil
euros em poços absorventes, “os resultados deste investimento foram nulos,
em virtude de os mesmos não atingirem os objetivos pretendidos, continuando a
Ribeira a ser alvo do mesmo tipo de poluição”, denuncia a AZU. 

“Porque o ambiente não pode continuar com esta
agressão, porque a luta em torno das minas abandonadas, onde se investiram
milhares de euros públicos do Estado e ainda Comparticipação Comunitária na
despoluição das mesmas, se vê posta em causa, continuando a montante, a
situação da Zona Industrial do Pisco, sem ver resolvidos os problemas nos seus
efluentes industriais. Porque a população e os agentes locais assim o exigem, a
AZU, terminada esta iniciativa pela defesa do ambiente em que constatamos que é
esse o desejo das populações de acabar com este foco de poluição”,
acresenta a direção da AZU, adiantando que irá “diligenciar junto do
Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e Ordenamento do Território, Agência
Portuguesa do Ambiente e Comissário Europeu do Ambiente, pelos danos ambientais
que persistem em continuar, nomeadamente a afectação da flora, fauna,
agricultura e ainda os cursos de água, com especial ênfase para o rio Mondego
onde vai desaguar, responsabilizando a Câmara Municipal de Nelas pelos danos
futuros que possam advir para o Concelho”.

Este portal utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização Saiba mais sobre privacidade e cookies