Farmácias à beira de um ataque de nervos

– Viseu é o 2º distrito do país com maior
número de insolvências e penhoras de farmácias (16, ou seja 14,4% do total)

Se há setor que mais se pode queixar com
as medidas dos governos nos últimos anos – pré e pós “troika” – é o
das farmácias. O drama que vivem foi-nos relatado, com rigorosa informação
quantificada, pelo delegado de zona da ANF (Associação Nacional de Farmácias),
Augusto Meneses, também proprietário da Farmácia Faure em Nelas. O jovem farmacêutico,
que se viu recentemente a braços com o desaparecimento do seu diretor técnico
em Nelas, já com os dados de Março de 2013 na mão, demonstrou-nos como, desde
2005, ainda com o governo PS de José Sócrates, foi desferido o mais violento
ataque ao setor de que há memória. Augusto Meneses e a associação que
representa, sustentam que “a troika apenas acelerou um processo que já
estava em curso para destruir o setor”. A verdade é que a análise dos
dados permite concluir que também neste processo reformista o governo foi mais
“troikista” que a “troika”, pois se a meta definida para a
redução da margem do setor da distribuição era de 50 milhões de euros em 3
anos, a drástica queda foi de 360 milhões. ” Se não houver uma inversão na
política atual, iremos assistir a uma deterioração profunda na qualidade do
atendimento e no serviço de proximidade que se foi conquistando ao longo dos
anos”, lamenta Augusto Meneses. Para os nosso leitores terem um ideia
clara daquilo que estamos a falar, se em 2002 o ganho médio por receita nas
farmácias Portuguesas era de 3,15 euros, em 2013 deu-se uma profunda inversão,
para uma perda de 2,42 euros. Tudo isto porque o governo impôs a redução
administrativa de preços e margens. Conta estes factos poucos argumentos tem o
governo para conseguir explicar tão dura realidade para os proprietários das
farmácias, que avançam com algumas recomendações, perante as tímidas medidas do
governo para contrabalançar a austeridade letal que implementou. Uma das quais
é envolver mais os medicamentos de marca no esforço coletivo, pois segundo a
ANF os laboratórios que os produzem “pouco têm visto reduzidos os seus
preços – 9,4% apenas, contra 58,2% dos medicamentos genéricos”. Uma
abordagem diferente na remuneração pode também ser implementada – a comparticipação
do estado passar a ser por receita atendida e não por medicamento. Por outro
lado deverá “acelerar-se a entrada de genéricos no mercado, que garantem
uma margem maior – atualmente a penetração já é de mais de 60%”. A
projeção da ANF aponta para “uma perda mensal por farmácia, entre 1 800 e
3 100 euros”, o que se irá traduzir “numa diminuição do número de
farmacêuticos, num intervalo entre 30% e 51%, ou seja, no limite mais de 4 mil,
assim como no pessoal auxiliar – menos 8 mil no limite”. Se nada fôr feito
com caráter de urgência, as farmácias tal como as conhecemos são uma realidade
que fará parte do passado.

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