Entrevista a António Marques da Costa Pinto, Presidente da Freguesia de Currelos.

Noticias – Antes de tudo obrigado pela sua
disponibilidade. Podemos começar pelo assunto do momento, a reorganização
Administrativa do Território. Como freguesia agregadora no processo de fusão
das freguesias, vê alguma vantagem neste reordenamento administrativo?
António Pinto – A reorganização Administrativa foi feita
por pessoas que não conhecem o Território e muito menos o nome das próprias
Freguesias. Os senhores da Unidade Técnica, apenas extinguiram as Freguesias
que lhes deram mais jeito. O livro verde que foi publicado por este mesmo
Governo indicava Freguesias que agora deixaram de constar na presente
avaliação. A transparência, o rigor a igualdade de tratamento que este mesmo
Governo tanto apregoa, é isto. Não queremos acreditar que esta decisão tenha
tido a colaboração dos responsáveis políticos locais. Esta medida é mais uma
afronta aos mais necessitados, o que estes senhores deveriam preocupar-se era
com os gastos excessivos que causam ao País, com mordomias e nomeações de
amigos e compadres.
Noticias – Em 2008 um grupo de jovens numa entrevista
a si realizada concluiu que “[…] a cultura é o parente-pobre da política na
sede de Carregal do Sal, existindo, no entanto, pessoas com aptidões culturais
e espaços mal aproveitados, que sendo reestruturados poderão servir de mola
impulsionadora de uma cultura efervescente, dinâmica, já nascida mas
adormecida/mal aproveitada.” 5 anos volvidos a situação mantem-se ou antes pelo
contrario essa cultura efervescente está viva?
António Pinto – A construção do Centro Cultural de
Carregal do Sal trouxe melhorias ao sector, no entanto muito ainda há a fazer.
No que respeita aos espaços livres que deveriam ser aproveitados para
desenvolver algumas actividades, principalmente no período de Verão, não reúnem
o mínimo de condições.
O Jardim Doutor Manuel da Costa, jardim central e mais
antigo da Vila de Carregal do Sal, não cativa, transmite uma imagem degradante,
está completamente caduco.
O Parque Alzira Claudio, sendo o pulmão da Vila de
Carregal do Sal, este devia reunir o mínimo de condições de forma a
proporcionar à população um espaço de convívio, de diversão e de lazer, não
concordamos que continue a servir de sala de chuto como infelizmente acontece.
Noticias – Para a dinamização da Freguesia tem contado
com o apoio da Camara Municipal? Como classifica a relação com o atual
executivo camarário?
António Pinto – Não estou nada satisfeito com o apoio
que a Câmara Municipal tem prestado à Freguesia. Quando cheguei à Freguesia em
Novembro de 2005, tive a preocupação de fazer um levantamento geral sobre o que
é essencial e necessário para as pessoas puderem usufruir de melhores condições
de vida. Na altura informei a Câmara Municipal das necessidades básicas que
detectei, nomeadamente em termos de falta de iluminação pública, de saneamento
básico, de água fornecida pela rede pública e arruamentos em mau estado de
conservação. Até á presente data a maior parte destas situações ainda estão por
resolver.
 Estas questões,
como outras têm sido ignoradas pela Câmara Municipal. Não aceitamos que os
nossos Munícipes estejam a ser penalizados em benefícios de outros.
Desde o mandato anterior, temos vindo a solicitar à
Câmara e à EDP para que os candeeiros de iluminação pública que se encontram a
iluminar pinhais, mato outros lugares do género, sejam transferidos para os
arruamentos e demais lugares público, especialmente para onde habitam pessoas.
Os nossos pedidos não têm surtido quaisquer efeitos, continuamos a assistir ao
desperdício no que respeita a iluminação pública, desperdício que devia
colmatar a falta que existe nos lugares identificados.
Em termos de empenho, a Freguesia de Currelos tem ido
para além da sua competência, o que depende da Freguesia tem sido feito, o que
depende da Câmara Municipal é o que todos conhecem.
A Freguesia de Currelos como não podia deixar de ser,
tem apreço e respeito pelo executivo Camarário.
Noticias – Estamos praticamente em final de mais um
mandato. Conseguiu concretizar os projetos e obras que fizeram parte do seu
programa eleitoral na vitória de 2009?
António Pinto – Recordo que a Freguesia de Currelos
está classificada como Freguesia a tempo inserto.
Como disponho de disponibilidade e porque faço questão
de estar constantemente presente, funciono como se fosse Presidente de
Freguesia a tempo inteiro. A Freguesia não tem por hábito fazer promessas,
quando se vê obrigado a fazê-lo, cumpre escrupulosamente o que promete.
Funcionamos de forma diferente de outras entidades. Habitualmente estudamos e
discutimos todos os assuntos nas nossas reuniões, depois passamos à ação, executando
os trabalhos quando nos surge a primeira oportunidade.
Aproveitando esta oportunidade que me foi dada,
gostaria de falar sobre a notícia que foi publicada na página 15 da Edição nº.
3 deste mesmo Jornal. Onde se lê. “Carregal do Sal vai apostar forte nas
Freguesias em 2013” Como estamos em ano de Eleições, talvez alguma coisa venha
a ser feito, esperamos e desejamos que tal promessa venha a ser cumprida e que
seja extensiva a todas as Freguesias, que não se destine só às mesmas do
costume.
Até ao final do ano de 2012 em termos institucionais
foi mau de mais, a Câmara Municipal não reuniu com as Freguesias, nada fez em
prol das mesmas.
Noticias – A sede do concelho faz parte da vossa freguesia, numa
situação que não é nada comum. Pode contar-nos o historial desta situação e que
vantagens/desvantagens tem para a vossa freguesia?
António Pinto – Historial da Freguesia. Currelos,
freguesia do concelho de Carregal do Sal, localiza-se nas proximidades do Rio
Mondego e abrange uma área de doze quilómetros quadrados, distribuída por
quatro povoações (Carregal do Sal – sede concelhia, Casal da Torre, Casal Mendo
e Vila da Cal), tendo como freguesias limítrofes Sobral, Oliveira do Conde,
Parada, Papízios e Póvoa de Midões.
Outrora denominada de Ulveira de Currelos, evoluiu,
para Oliveira de Currelos (evolução etimológica de “Ulveira”, que significa
terra funda, de lameiro). O primeiro registo escrito em que há referência a
Currelos data de 1137, num documento de doação de Dom Afonso Henriques:
“Ulveira de Currelos”.
As suas terras férteis eram muito cobiçadas, tendo
sido concedidas pelo Conde Dom Henriques ao Mosteiro de Lorvão que, por sua
vez, as doou a 15 de Novembro de 1105, a Garcia Vanding e à sua esposa Elvira
Goding, para que estes e os seus sucessores as povoassem, reedificassem e
cultivassem sob o Senhorio do Mosteiro. Currelos pertenceu, mais tarde, aos
Condes de Sortelha e aos Condes de Vila Nova de Portimão.
Currelos constitui, durante séculos, concelho,
englobando as povoações de Carregal, Casal da Torre, Vila da Cal e Casal Mendo.
Com a reforma administrativa de 1836, este concelho
foi substituído pelo de Carregal, apesar de Carregal do Sal continuar a ser,
tal como era, uma das povoações da freguesia de Currelos.
Por direito próprio e por se tratar da freguesia sede
do concelho, esta devia ser mais respeitada, e usufruir de algumas vantagens,
como acontece na maior parte dos Concelhos. Infelizmente assim não tem
acontecido, principalmente durante a minha Presidência.
No final do mandato anterior, tive o cuidado de fazer
o balanço relativo ao apoio que a Câmara Municipal prestou às Freguesias. A
Freguesia de Currelos foi seriamente penalizada. Vamos estar atentos, reunir o
máximo de elementos que nos permita desenvolver um trabalho no sentido de podermos
divulgar as injustiças que porventura sejam detectadas. Para já as indicações
que temos não são nada abonatórias.
Noticias – As eleições autárquicas aproximam-se a
passos largos. É sua intenção recandidatar-se ao cargo que exerce neste momento
ou a qualquer outro?
António Pinto – Vou candidatar-me à nova Freguesia
(união das Freguesias de Currelos, Papízios e Sobral). A minha recandidatura
por Currelos tem a ver com a vontade expressa de um número elevado de pessoas
que me têm incentivado a fazê-lo.
Posso afirmá-lo, fui convidado por representantes de
todos os partidos políticos, entendi que ao fazê-lo, deveria ser pelo partido
que tenho representado. A razão que me levou a fazê-lo, tem a ver com o carinho
e a atenção que me tem sido prestado, tenho sido bem tratado e respeitado por
toda esta gente.
Admiro e respeito as pessoas que representam os
restantes partidos neste concelho, mas nunca esquecerei as imensas
dificuldades, os obstáculos que me foram criados nestes dois meus mandatos. Não
tenho dúvidas, tudo foi feito para prejudicar a Freguesia e a minha própria
pessoa. A Freguesia de Currelos tem sido o parente pobre do Município de
Carregal do Sal.
Os nossos Munícipes precisam de homens com ideias, que
saibam ouvir e que respeitem os parceiros, que não se deixem influenciar e que
não descriminem.
Noticias – Para terminar não poderia deixar de abordar
o estado da Nação Portuguesa. Como classifica esse estado?
António Pinto – O Estado do País é uma grande
preocupação para todos nós. O estado deveria ser um instrumento da Nação ao
serviço dos cidadãos. Tal não tem acontecido, está transformado num organismo
poderoso, que só pensam nos milhões que deveriam servir em benefício de todos
os cidadãos.
Um dia destes li um comentário num jornal com a qual
concordo, dizia: No Debate da Nação dei por mim a pensar que pela primeira vez
há uma tentativa séria de se meter o Estado na Ordem, reduzir o mastodonte à
dimensão e à função que sempre deveria ter. Torná-la ágil, eficaz, justa,
inteligente, racional, sustentável, arredá-la de onde não deve estar, como na
economia. Talvez assim tenhamos uma Nação em melhor Estado.

1 comentário a "Entrevista a António Marques da Costa Pinto, Presidente da Freguesia de Currelos."

  1. Boa tarde; será que o documento do ano de 981, que nos mostra olibaria de currelos, refere-se a uma outra terra, num outro concelho, e talvez num outro país?
    E assim se deturpa a história de Portugal.

    Cumprimentos

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