Administrador da insolvência da Adega de Nelas acusa direção de “incompetência para saber comercializar vinho”

O relatório entregue no Tribunal Judicial de Nelas, pelo administrador da insolvência da cooperativa agrícola de Nelas, não deixa margem para dúvida . De acordo com a sua análise “a insolvência deve-se à falta de capacidade de gestão da(s)direção/direções que comandaram os destinos da cooperativa nestes últimos anos, uma vez que demonstraram incompetência para saber comercializar vinho”. António Loureiro elenca as causas apontadas pela direção, que levaram à insolvência, nomeadamente a contração da procura, motivada pela crise económica em geral e dos vinhos em particular, o forte endividamento bancário e consequentes encargos financeiros e os custos excessivos, no que diz respeito principalmente a encargos com pessoal. Os prejuízos acumulados pela cooperativa ao longo dos últimos anos culminaram em 2009, com um resultado negativo de cerca de 610 mil euros. Neste ano os encargos com pessoal ultrapassaram os 300 mil euros e os encargos financeiros chegaram quase a 150 mil euros. O administrador, embora considere estas causas, enumera outras “variáveis” determinantes para se ter chegado a esta situação. “Sem crédito, a direção da cooperativa revelou falta de capacidade para diagnosticar a situação, de forma a implementar as medidas adequadas, com vista a estancar a deterioração da sua situação económica”, refere António Loureiro, que acusa a direcção de “talvez na expectativa de que os seus diretores se libertassem das garantias pessoais dadas nos empréstimos, terem celebrado um contrato de comodato com a Lusovini, na sequência de um outro de arrendamento, em que, a troca de 3 mil euros mensais, destruíram por completo a capacidade da cooperativa gerar receitas futuras, condicionando fortemente a respectiva viabilidade”.
Administrador pretende anular contrato com a Lusovini e hipoteca das instalações ao Crédito Agrícola
Considerando que a “viabilidade da cooperativa se encontra fortemente condicionada pelos contratos celebrados com a Lusovini”, António Loureiro acredita na viabilização desde que “tais contratos sejam resolvidos”, ou seja “se reponha a situação anterior aos contratos”, e manifesta “fortes expectativas de que tais contratos possam ser resolúveis, pois são prejudiciais à massa insolvente, dado que oneram o património e frustram a satisfação dos credores da insolvência, refletindo a má fé da Lusovini, à luz do CIRE”, deixando no entanto essa decisão para a assembleia de credores. Situação idêntica para o garantia dada (hipoteca das instalações) para o empréstimo contraído em 13.12.2010, junto do Crédito Agrícola, que “conferiu privilégios ao credor em apreço, em detrimento dos outros credores”, sendo que neste caso o administrador irá “promover a sua resolução”, ou seja, a anulação desta hipoteca. Ao mesmo tempo acrescenta que “os responsáveis pela Lusovini já tornaram público que não pretendem participar numa solução que preveja o reatamento da produção da adega, pois afirmaram que a sua vocação é a comercialização e não a produção”.Assim sendo,o administrador, não tendo por agora qualquer solução que preveja a continuidade da cooperativa, mostra-se “receptivo” a qualquer modelo de viabilização que lhe seja apresentado, desde que salvaguarde 3 condições que considera essenciais “liderança, capital e estratégia”, acrescentando que tem conhecimento de um grupo de associados que pretende apresentar uma proposta de viabilização.

1 comentário a "Administrador da insolvência da Adega de Nelas acusa direção de “incompetência para saber comercializar vinho”"

  1. Sabe, é que os de Nelas só estâo habituados a "Mamar"!

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