Fundação Lapa do Lobo debateu a reabilitação da arquitectura popular Portuguesa


– Arquitectos convidados para a conferência foram unânimes em acreditar nas recuperações “economicamente viáveis”

Foi um encontro intimista, que prendeu a atenção de auditório cheio de público interessado na temática da reabilitação da arquitectura tradicional Portuguesa. A conferência/debate, realizada pela Fundação Lapa do Lobo, na sua sede, realizou-se no passado dia 29 de Novembro e foi antecedida pela apresentação do filme ““Casas Adormecidas – um passado com futuro” realizado por José Cunha e Ana Pissarra, com o apoio da Fundação, que passa em revista algumas importantes e emblemáticas recuperações, incluindo a do próprio edifício sede da Fundação. A primeira oradora foi uma das arquitectas responsáveis pela reabilitação do centro histórico da cidade berço, Guimarães. Com um projecto ambicioso, por ser a capital Europeia da cultura em 2012, esta intervenção tornou-se num autêntico “caso de estudo”. Alexandra Giestas, defendeu “as recuperações arquitectónicas viáveis economicamente, com base numa economia saudável”. Colocando a tónica nas pessoas, acredita que são elas que “valorizam os território”, elas e “a sua felicidade”. Outro dos convidados, foi o arquitecto Canense, Pitum Keil do Amaral, que considerou serem “poucas e recentes” as tentativas de reabilitar a arquitectura popular. “Só o turismo para impulsionar as construções antigas”, disse, enaltecendo a obra levada a cabo pela Fundação Lapa do Lobo, considerando-a “um excelente exemplo de recuperação arquitectónica”. Elencando alguns outros exemplos, neste caso mal sucedidos, por “não serem postos em prática, por falta de dinheiro”, o arquitecto Canense lamentou “a grande falta de sensibilidade nesta área”, onde ainda há muitos “obstáculos a ultrapassar”, pois urge “convencer as pessoas que as casas antigas não estão necessariamente associadas à miséria”. Já João Ferrão, professor Universitário e antigo secretário de estado do ordenamento do território e cidades, revelou que “temos em Portugal um milhão de casas vazias”, defendendo que “devemos passar para um patamar que preserve a dignidade do passado”. Para se alcançar este objectivo, enunciou as três camadas de R´s, que no seu entendimento devem constituir um guia de acção. Reconstruir e Reabilitar. Refuncionalizar e Revitalizar. Respeito e Reconhecimento recíproco. Tudo isto será tanto mais difícil quanto maior for o universo, ou seja “mais difícil de alcançar numa cidade do que numa casa, por exemplo”. Todo o esforço, deve contudo ser acompanhado por uma “economia saudável”, onde é fundamental “encontrar uma nova função para o mundo rural”, que, no seu entendimento, terá “um papel central na actividade económica”. Para que tudo isto seja uma realidade, é necessário “todas as entidades andarem de mãos dadas”. O arquitecto citou também, como exemplo bem sucedido, a parceria entre a Junta da Lapa do Lobo, a Fundação Lapa do Lobo e a Câmara Municipal, que tem proporcionado um excelente exemplo de requalificação. Em jeito de homenagem aos responsáveis pela Fundação, terminou deixando-lhes uma mensagem “esperança não é aquilo que gostaríamos que acontecesse um dia, esperança é dar sentido às coisas”.

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