Coligação PSD/CDS-PP esmaga oposição, elegendo 5 vereadores e deixando o PS a quase 3 mil votos de diferença

Foi uma noite memorável para a coligação PSD/CDS-PP. Conseguindo reduzir a sua oposição a uma clara minoria, em termos de representatividade nos vários órgãos autárquicos do concelho, foi a primeira vez na história da democracia em Nelas que uma força política ultrapassou os 5 mil votos e elegeu 5 vereadores. E nem o argumento da pulverização do eleitorado, com o aparecimento de várias listas poderá explicar o insucesso dos opositores da coligação, pois num cenário em que estivessem juntos, não conseguiriam fugir a essa situação de minoria. Parece assim claro que a estratégia prosseguida pelo PSD e CDS-PP revelou-se a mais eficaz, atingindo um nível de popularidade e aprovação históricos, não se tendo verificado nenhum dos cenários possíveis de que tanto se falava – a dificuldade em se manter a diferença de 2005 em Canas (777 votos), a penetração do PPM no eleitorado da coligação e o peso do ex presidente, José Correia, que acabou por sair desta eleição como um dos grandes derrotados, com um resultado inexpressivo, não chegando a eleger um vereador. Mas o grande derrotado da noite, foi sem dúvida o Partido Socialista, e o seu líder Adelino Amaral, que apostando numa campanha altamente mediática e inovadora em todo o concelho (que mereceu até uma visita de Pacheco Pereira), não conseguiu traduzir em votos esse esforço, ficando a 2 940 votos da coligação, com uma diferença percentual de quase 33% a nível do concelho e 45% em Canas, que continua assim a penalizar fortemente o PS. Luís Pinheiro acabou por ser o outro grande vencedor da noite eleitoral, reforçando a sua votação face a 2005 e mesmo com o aparecimento da candidatura independente CIM (que ainda assim obteve um excelente resultado com cerca de 27% dos votos e 3 mandatos – bem à frente do PS, que se ficou por um mandato e apenas 15% dos votos), e com todos os problemas que enfrentou com a sua equipa durante este mandato, obteve a maioria absoluta na Junta e contribuiu para a votação avassaladora da coligação para a Câmara e Assembleia Municipal, na sua freguesia.
Como nota de grande destaque, de referir a recondução dos actuais presidentes de Junta que se recandidataram, não conseguindo o PS conquistar nenhuma presidência de Junta. Mesmo em Santar, onde se previa poder haver algum equilíbrio, acabou por se registar a maioria absoluta para o actual presidente, João Carlos Martins, que agora pela coligação obteve 5 dos 8 mandatos. Nelas, devido ao peso da lista de José Correia, foi a única freguesia (onde apresentou candidaturas) em que a coligação não obteve a maioria absoluta, elegendo 4 dos 9 mandatos. O excelente relacionamento entre os actuais presidentes de Junta e a coligação (que fomos dando conta através das entrevistas que efectuámos), parece ter sido assim um factor determinante neste acto eleitoral, que se saldou apenas por um novo presidente de Junta – precisamente António Figueiredo em Aguieira. Relativamente à Assembleia Municipal, verifica-se uma considerável renovação nas diversas bancadas, com o MPT a eleger o empresário Eurico Amaral e o antigo chefe das finanças, Manuel Borges, enquanto o PPM elegeu a professora universitária Maria José Correia. O engenheiro e professor, José António Pereira, deverá manter-se na presidência deste órgão. Na próxima edição do nosso jornal, daremos conta da lista completa dos eleitos.

PS fala em “pesadelo” e coligação é comedida nos festejos, devido ao trágico acidente que vitimou mortalmente Natália Coelho e Clara Moreira

O acto eleitoral do passado Domingo ficou marcado pelo acidente da passada Quinta Feira em Oliveira de Barreiros, que tirou a vida à mandatária de Isaura Pedro e vereadora do PS, Natália Coelho e à empresária Clara Moreira, mãe do reeleito deputado municipal do PSD, Pedro Moreira. Com todos os partidos políticos a suspenderem a campanha eleitoral nesse mesmo dia, a comemoração da vitória da coligação ficou assim envolta num clima de grande emoção e consternação, o que inviabilizou uma celebração mais efusiva. Isaura Pedro era o rosto do pesar pela perda da sua mandatária e uma das mais indefectíveis apoiantes nesta campanha, estando visivelmente emocionada, quando subiu as escadas dos Paços do Município para fazer um breve discurso de agradecimento aos seus apoiantes. A chegada dos vereadores eleitos, junto à sua sede de candidatura, foi festejada de forma entusiástica pelos milhares de apoiantes que os aguardavam, com o nº2 de Isaura Pedro, Manuel Marques, a ser dos mais eufóricos, não parando de dizer “não há memória”. Isaura Pedro, dirigiu algumas palavras para a imensa moldura humana que a rodeava, começando por dedicar inteiramente a vitória à sua mandatária, Natália Coelho, e a Clara Moreira, por “nos terem ajudado muito nesta grande vitória”. “Tivemos quatro anos muito difíceis, mas não nos desviámos do nosso objectivo principal – trabalhar para as pessoas”, referiu Isaura Pedro, que fez notar ainda que se considera “uma pessoa do povo, que gosta muito das pessoas”. A autarca, agora reeleita, fez questão de cumprimentar a oposição,desejando-lhes “felicidades”. Foi depois guardado um minuto de silêncio, em memória das vítimas do acidente.
Já na sede do PS o ambiente era de grande desilusão, sendo no entanto de destacar que grande parte do núcleo duro de Adelino Amaral, esteve solidário com o seu líder, na noite da derrota. Afluíram mesmo algumas dezenas de pessoas à sua sede de candidatura. O histórico militante socialista e candidato à Assembleia Municipal, Rui Neves, foi o primeiro a assumir a derrota, considerando-a mesmo um “autêntico pesadelo”. Elencando alguns dos motivos que, no seu entender, estiveram na base desta derrota expressiva, nomeadamente “a campanha suja que durante 2 a 3 anos, quer o MPT, quer o PPM, fizeram contra o Adelino Amaral”, ainda deu uma palavra de alento ao seu candidato, dizendo que “quando fui candidato em 1985 tive uma votação idêntica”. “Acabámos por demonstrar que a guerra que o Dr. José Correia nos moveu não deu em nada, pois não conseguiu sequer eleger um vereador”, acrescentou. “Resta-nos continuar o trabalho que começámos do nada, há cerca de 2 anos e meio, pois os resultados alcançam-se a prazo”, rematou. O cabeça de lista à Assembleia Municipal, Armando Carvalho, era também o rosto da desilusão, confidenciando-nos que “a nossa mensagem não passou”, mas acabando também por dirigir algumas palavras de ânimo a Adelino Amaral, pois “é nossa obrigação moral ajudá-lo nesta hora”, lançando-lhe ainda o repto para continuar na liderança do partido. Adelino Amaral, com um semblante carregado, assumiu pessoalmente a derrota, mostrando a sua “frustração” pela mesma, mas salientando os pontos positivos da campanha, afirmando que “conseguimos construir um grupo e fazer uma campanha limpa e inovadora”. O candidato socialista assumiu que a estratégia “falhou”, pois “as pessoas não aderiram ao nosso projecto e derrotaram esta forma de fazer política”.Olhando para o futuro, o líder do PS apontou para “4 anos muito difíceis, para mim e para o concelho”, mas assegurou desde já que assumirá o seu mandato de vereador, situação em que foi acompanhado pelo Canense Hélder Ambrósio. O líder local do PS, deixou ainda a porta aberta, para uma recandidatura à liderança do partido, nas próximas eleições internas, que se irão realizar em Março ou Abril do próximo ano, prometendo “lutar por um partido mais forte”.

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