Projecto integrado pretende acabar com esgotos a céu aberto no concelho

– Documento foi apresentado na última sessão da Assembleia Municipal por Diogo Pires, num trabalho promovido pela Câmara Municipal

– Até 2013 a autarquia prevê realizar um investimento total de 5 milhões de euros, construindo mais de 20 novas ETAR´S

O levantamento efectuado pelo ex autarca de Vila Nova de Paiva, Diogo Pires, agora detentor de uma das mais prestigiadas empresas de consultoria na área dos projectos de saneamento e abastecimento de água, poderá vir a representar a resolução completa dos problemas que o concelho enfrenta nestas áreas.

O diagnóstico no terreno iniciou-se no passado mês de Março e ficou agora concluído, tendo sido apresentado no passado dia 26 de Junho, na sessão ordinária da Assembleia Municipal. O documento de enquadramento estratégico foi apresentado pela presidente da Câmara, Isaura Pedro, que realçou o facto de este executivo “ter prometido na campanha de 2005, resolver o problema do saneamento, que se arrasta há vários anos”. O problema é que “verificámos que dado o avultado investimento necessário, somente através de incentivos comunitários ou de um contrato programa com o governo, poderíamos executar este projecto”. Lembramos que o actual executivo já efectuou uma candidatura ao programa P.O.V.T. que foi no entanto rejeitada. Assim surgiu agora esta opção, como a mais viável para o concelho poder investir de forma estratégica e integrada, nesta área, candidatando-se para o efeito ao programa QREN, onde espera vir a obter uma comparticipação de até 70% das despesas elegíveis. Diogo Pires, que já foi presidente da Câmara de Vila Nova de Paiva, apresentou então tecnicamente o estudo, começando pela área do abastecimento de água, onde prevê que o município tenha que investir cerca de 750 mil euros, salientando que “Nelas é o concelho do distrito de Viseu onde a qualidade da água é mais elevada, e que viola menos os parâmetros de análise”. Ou seja, o problema a este nível não reside na questão da qualidade, mas sim do abastecimento em quantidade. A proposta vai então no sentido de aumentar a capacidade de reserva, construindo-se alguns novos reservatórios (Algeraz, Urgeiriça, Agueira, Póvoa de Santo António, entre outros), além do que actualmente está em obra, na Quinta da Cerca, que resolverá o problema de Santar, Vilar Seco e Moreira. O responsável pelo documento estratégico, adiantou que o que está previsto é de uma reserva de água, que dê para um dia de consumo, para assim se garantir, em caso de ruptura, o abastecimento, até que os problemas se resolvam.
Estudo propõe sistema de tele-gestão do abastecimento de água
Uma das grandes novidades propostas é um inovador sistema de controlo do abastecimento de água por tele gestão, em que, ao invés do que acontece actualmente, onde são os funcionários da autarquia que pessoal e manualmente fazem o controlo do abastecimento, passa este trabalho a ser efectuado directamente da autarquia, de uma forma electrónica, monitorizando-se assim todo o funcionamento da rede. Este sistema permitirá uma maior eficácia na gestão e ainda uma poupança de recursos humanos, pois bastará um funcionário para fazer este controlo. Relativamente ao sistema de saneamento de águas residuais, o estudo inventariou 48 instalações de tratamento, das quais apenas 9 são ETAR´S – as restantes as problemáticas 39 fossas sépticas, espalhadas um pouco por todo o concelho. “Nelas está numa situação muito complicada, porque toda a área do concelho ao abastecer a barragem da Agueira, está sujeita a uma exigência muito apertada em termos de qualidade de saída das águas residuais”, referiu Diogo Pires, elencando como os grandes problemas no concelho “a ETAR 1 de Nelas, a da Agueira, que está toda rebentada, e a de Canas, que tem 40 anos”. Também nos parques industriais surge como imprescindível construir novas ETAR´S.”Trata-se de aproveitar para renovar de forma quase completa, dado que apenas se aproveitam as ETAR´S de Nelas 2 e Folhadal, que funcionam bem”, disse ainda o técnico, que exemplificou com a situação de Senhorim, onde propõe “ a eliminação completa das 17 fossas que ali existem, através de bombagens para a rede”.
Água poderá não aumentar de preço
Uma das ideias base da candidatura ao QREN, é a sustentabilidade do sistema, ou seja, a sua capacidade para se auto financiar. Originando uma racionalização de custos muito importante, nomeadamente com a tele gestão, o executivo não prevê que a água venha a aumentar de preço para os munícipes, o que a verificar-se será uma boa notícia, quando se sabe que em muitos municípios que aderiram a sistemas multi-municipais os preços aumentaram drasticamente. O estudo agora efectuado, que Diogo Pires considera “a única via neste momento para os municípios intervirem nestas áreas, ao nível do QREN – por exemplo Sátão já teve a sua candidatura aprovada e já recebeu 4,5 milhões de euros”, seguirá para o INAG (autoridade nacional da água), para ser aprovado e depois seguir para aprovação na Câmara e Assembleia Municipal, e depois sim ser candidatado ao QREN. Estima-se que uma comparticipação na ordem dos 60% seria bastante aceitável, no quadro actual, tendo assim a autarquia que dispor em 4 anos de apenas de pouco mais de 1 milhão de euros, dado que também está previsto o auto financiamento do projecto.

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