Cavaca é eleito novamente presidente do Nelas, mas fica “amarrado” às decisões da Assembleia Geral

– Clube está actualmente impedido de inscrever equipas nas provas da Federação e Associação de Futebol de Viseu

Foi uma Assembleia Geral histórica, a que se realizou no Sport Lisboa e Nelas, na passada Segunda Feira, no Multiusos de Nelas. A presença de 66 sócios, numa das mais concorridas assembleias de sempre, deixou desde logo antever uma sessão animada. A ordem de trabalhos incluía as eleições para os órgãos sociais do clube, para o próximo biénio. A pairar no ar continuava entretanto a possível extinção do clube, motivada pela declaração de insolvência, que ao tudo indica poderá ainda vir a acontecer. Mas como diz o velho ditado “enquanto há vida há esperança”, resta agora aos novos dirigentes do clube, agarrarem-se a uma ténue esperança de salvação da colectividade, que parece cada vez mais difícil – a Comissão Administrativa anunciou que neste momento o clube já se encontra impedido de inscrever quaisquer equipas, nas provas organizadas quer pela Federação, quer pela Associação de Futebol de Viseu, devido às dívidas e processos que ali se encontram pendentes. O Nelas está também impedido de celebrar novos contratos com jogadores, assim como de renovar os existentes. Jorge David, que esteve à frente dos destinos do clube nos últimos meses, deu conta da situação asfixiante em que se encontram as finanças da colectividade, tendo até ao momento sido apurada uma dívida total de 272 mil euros, sem se considerar o empréstimo da caixa agrícola, que a comissão administrativa não reconhece como legal e em relação ao qual se opôs mesmo judicialmente, invocando que o mesmo foi contraído sem ter sido aprovado em Assembleia Geral. Se incluirmos este empréstimo, a dívida total aproxima-se dos 500 mil euros. Jorge David esclareceu ainda os sócios sobre os reais motivos que estiveram na origem do arresto de todos os bens e receitas do clube, que recordamos foi ventilado ter sido provocado por uma entrevista que publicámos no nosso jornal. David, desmentindo ter sido esse o motivo, enumerou os fundamentos para o referido arresto, nomeadamente as condições de funcionamento do clube, em que faltava de tudo, desde o pagamento dos salários, alimentação e cuidados médicos aos atletas. A Comissão Administrativa, que não apresentou qualquer lista para os órgãos sociais do clube, dando assim por findo o seu trabalho, não deixou contudo de fazer uma proposta no sentido dos sócios deliberarem que o subsídio retido da Câmara Municipal seja destinado a pagar, directamente, as dívidas ao fisco, segurança social e jogadores. Cavaca insurgiu-se com esta proposta, defendendo que “somente depois de eleita a direcção, se deveria colocar aos sócios esta situação”. Os ânimos ainda se exaltaram, com algumas trocas de acusações entre Cavaca e Manuel Marques. Cavaca tentou defender a celebração de um novo acordo com a segurança social, por forma a pagar a dívida em prestações. Tese que foi no entanto de imediato “desmontada” por Jorge David, ao afirmar que tal se afigura impossível, porque “o clube já incumpriu com dois acordos que fez anteriormente”. A proposta foi depois aprovada pela larga maioria dos sócios presentes – 59. Seguiram-se as eleições, com a apresentação de uma lista única, liderada por Luís Cavaca, para a direcção e Paulo Santos, para a Assembleia Geral, num verdadeiro “deja vu”, porque inclui os mesmos vice de sempre – Fernando Alexandre e Fernando Garcia. O insólito aconteceu no entanto, quando 3 dos membros integrados na lista pediram para os seus nomes serem retirados, o que é revelador da frágil situação desta nova direcção, que enfrente uma tarefa “hercúlea”. Os novos órgãos sociais, acabaram então por ser eleitos com apenas 16 votos a favor, dos 66 presentes, o que é sintomático do ambiente que se vive no clube. A Comissão Administrativa aproveitou ainda para fazer aprovar (dado que tinha uma larga maioria de apoiantes entre os sócios) a obrigatoriedade de todas as decisões relativas a empréstimos e ao arresto de que o clube foi alvo, terem que ser submetidas à Assembleia Geral de sócios, o que, na prática, limita a margem de manobra da direcção para decisões de carácter estrutural. Lembramos que a decisão sobre a contestação ao arresto, deverá ser proferida até ao final de Junho.

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