Covercar incumpre em toda a linha com trabalhadoras

As denúncias que têm vindo a público, foram confirmadas ao nosso jornal por duas funcionárias da empresa (que preferem manter o anonimato), instalada na ZI da Ribeirinha em Canas de Senhorim. Ambas temem o encerramento da empresa, ou na melhor das hipóteses uma redução para 30 colaboradoras.

Inaugurada há pouco mais de um ano (3 de Maio de 2017), depois de transferir as suas operações da ZI de Nelas para Canas de Senhorim, a empresa que faz o revestimento em bancos de automóveis, na sua totalidade para a WW Auto Europa (Palmela), tem vindo a ser alvo de denúncias diversas sobre os cortes no emprego, precariedade e forma como não cumpre com as obrigações laborais. O nosso jornal apurou que inclusive já foi alvo de inspeção por parte da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), no passado mês de Setembro de 2017.

Fomos ao encontro de duas das suas trabalhadores, que nos revelaram a forma como são pressionadas, intimidadas e perseguidas dentro da empresa, onde alegadamente tudo falta, a começar pelas forma como atuam as chefias : “além da falta de educação e civismo, somos permanentemente intimidadas e perseguidas”, começam por nos relatar, acrescentando “há dois pesos e duas medidas, consoante as trabalhadoras – as que são protegidas e as restantes (estas em muito maior número)”. Instadas a confirmar as diversas denúncias que têm vindo a público, designadamente do Bloco de Esquerda (que motivaram uma pergunta ao Governo), confirmam tudo : “É tudo verdade, desde pagamentos diferenciados de subsídios de refeição, à pressão e ameaças que fazem para assinarmos processos disciplinares, à não renovação de contratos e depois contratação de novo”. “Todas que têm contratos a prazo recebem com muita antecedência a carta a comunicar que não terão o contrato renovado, mas uns dias antes, a algumas delas. acaba por ser dito que irão continuar, isto apenas verbalmente”. Lembramos que a autarquia de Nelas efetuou ali diversos melhoramentos, a nível de infraestruturas, num valor que o BE indica em torno de 500 mil euros, para que a empresa se pudesse instalar, criando mais postos de trabalho. “Neste momento devemos ser 120-130 trabalhadoras, quando já fomos em torno de 200”, contam, temendo pelo encerramento da empresa : “A forma como vemos as coisas, com a transferência de operações para a unidade de Marrocos, é que parece que vai fechar esta fábrica, ou então ficarem só com o pessoal efetivo – em torno de 30 pessoas”. “Somos umas peças de xadrez nas mãos das chefes – jogam connosco até ao xeque mate”, queixa-se uma das trabalhadoras, adiantando que “ali o que domina é o clima de ameaças, perseguição e difamação, ou seja, um péssimo ambiente de trabalho”. Sobre as condições materiais, apontam também o dedo à empresa, por não ter “água mineral – temos que usar a das torneiras, onde nem conseguimos encher as garrafas”, assim como “a limpeza é feita apenas uma vez por dia”.

Outra das situações relatada é o facto de “nunca percebermos como é processado o valor que recebemos no final do mês – no recibo não vem discriminas as horas extra por exemplo, e muitas vezes trabalhadoras que tiverem as mesmas horas, recebem valores diferentes, assim como quererem trocar-nos sábados por dias normais, ou seja, somos enganadas permanentemente”. “Não existe na empresa departamento de higiene e segurança no trabalho – é o autêntico salve-se quem puder”, afirmam ainda, denunciando por último que “as metas de produção estabelecidas são totalmente irreais”.

O nosso jornal, uma vez mais, dirigiu via correio eletrónico, estas denúncias, para os recursos humanos da empresa.

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