Primado aposta na recuperação do “espírito da região do Dão”

O projeto é familiar e tem na sua génese uma filosofia de criação de vinhos que se distingam no seu caráter e elegância em edições muito limitadas.”Assumindo um compromisso com a nossa origem, o Dão, os nossos vinhos recuperam o espírito da região”, explica o produtor, Manuel Pereira de Melo.

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Terroir e vinha

Os grandes vinhos não nascem por acaso. A conjunção excepcional de condições climáticas e geológicas combinam-se para formar um equilíbrio raro.

Situada em Santa Comba Dão, na Quinta do Coladinho, a vinha plantada no início da década de 90 abrange cerca de 2 hectares num lugar que revela um sentido e características muito próprias. O solo granítico-arenoso é típico da região. O clima marcado pelas cadeias montanhosas da Estrela, Caramulo e Lousã, que a circundam, é também influenciado pela proximidade à albufeira e barragem da Aguieira. A humidade provocada pelas neblinas matinais proporciona maturações equilibradas e lentas conseguindo-se assim um vinho muito concentrado em taninos e fruta.

Trabalhando com a natureza, com a sua imprevisibilidade e com os consequentes efeitos sobre a vinha, ano após ano, independentemente das condições meteorológicas, empenhamo-nos em criar colheitas com a menor intervenção humana possível. A preocupação em preservar o meio ambiente levou a optar pelo Modo de Produção Integrada, regime rigoroso e exigente que limita o tipo de produtos para tratamentos da vinha.

Roseiras Pantera Negra, cuja flor aveludada tem a cor dos grandes tintos, foram plantadas nos extremos das linhas criando um quadro de grande beleza e simbolizando o verdadeiro espírito com que nos dedicamos à produção de vinhos, paixão. As roseiras desempenham também a função de alertar para o aparecimento de doenças da videira de origem fúngica, em especial o míldio, que se manifestam primeiramente na roseira.

Saber fazer

Os conhecimentos de uma equipa técnica superior permitem-nos desenvolver um rigoroso trabalho na vinha, uma cuidadosa selecção de uvas, um sério e meticuloso processo de vinificação, sempre obstinados com o nosso compromisso com a excelência.

A colheita é mais tardia do que noutras zonas da região porque a maturação fenólica (cor e sabor) dá-se mais tarde do que a maturação industrial (açúcar) conseguindo-se assim um vinho muito concentrado em taninos e fruta. A apanha é manual, no ponto ideal de maturação, com transporte imediato para a adega, e consequente esmagamento evitando qualquer risco de oxidação e de outros processos bioquímicos que possam comprometer a integridade da uva e a qualidade do vinho.

Quando se iniciou o projecto com a replantação da vinha em finais dos anos 80 quisemos produzir um vinho tinto distinto e muito diferente dos vinhos demasiado encorpados e retintos. O objectivo foi a produção de um vinho de grande complexidade e elegância e com grande capacidade de envelhecimento que recuperasse o perfil dos prestigiados vinhos que outrora se produziam na região do Dão.

Em 2008 foi apresentada a primeira colheita, o Primado Tinto de 2004.

A vinificação do Primado Tinto é realizada em lagar de granito com pisa a pé e em cubas de inox, ocorrendo sob especial atenção. Em ambos os casos a temperatura é controlada para a extracção de todo o potencial de estrutura, cor e aromas, através de cuidadosas macerações a baixas temperaturas para que as fermentações sejam lentas e prolongadas.

Após este processo o vinho permanece em cuba onde faz a fermentação malolática seguindo para estágio em barricas de carvalho francês cerca de 12 meses. Regressa às cubas de inox por mais 12 meses e é então engarrafado permanecendo em evolução por um longo período antes de entrar no mercado. Este diversificado e prolongado processo de estágio confere ao Primado o aveludado e a elegância que lhe são tão peculiares.

Com uma produção anual de cerca de 7000 garrafas o Primado é um vinho raro. Complexo e intenso, com taninos bem presentes mas delicados e uma frescura surpreendente, o Primado tem um excelente equilíbrio entre o álcool e a notável acidez que lhe confere uma estrutura de grande elegância.

Límpido, brilhante e de matiz vermelha arroxeada e violeta salienta um aroma de fruta madura com notas florais e especiarias. Na boca é encorpado, aveludado e persistente evidenciando notas picantes.

2017 foi ano para evoluir para novas propostas reveladoras de vinhos diferenciadores.

Decidimos produzir o nosso primeiro Primado Branco Encruzado (edição limitada a 2666 garrafas) e uma reedição do Primado Rosé (edição limitada a 3267 garrafas). Os vinhos serão apresentados durante o mês de Maio em Lisboa, Coimbra, Porto e na sua terra de origem, Santa Comba Dão.

Primado Branco Encruzado

O Primado branco é produzido a partir da casta Encruzado, típica do Dão e considerada uma das raras castas brancas de qualidade irrepreensível.

O mosto manteve-se em maceração pré-fermentativa durante 12 horas, após o que foi prensado. A fermentação processou-se lentamente com um controlo rigoroso da temperatura entre os 14ªC e os 15ºC permitindo uma harmonização dos complexos aromas da casta Encruzado.

Não tendo sido sujeito a contacto com a madeira não sofre a influência aromática das barricas, evidenciando assim um nariz mais varietal.

Apresentando-se o aroma inicialmente mais fechado, característica da casta, a exuberância da casta Encruzado vai -se revelando no copo. Mais floral no início vai, entretanto, revelando aromas cítricos com algumas notas tropicais.

Na boca, a sua exuberância é notável e progressiva. O excepcional equilíbrio entre a acidez e o álcool evidencia-lhe grande elegância. O contacto com a película conferiu-lhe estrutura proporcionando um final de boca longo em que a complexidade aromática e a intensidade do gosto se revelam harmoniosamente.

Com uma forte vocação gastronómica é também um vinho sem época. Acompanha bem os alimentos frescos típicos das épocas mais quentes, mas está bem preparado para combinar com pratos fortes, nomeadamente de peixes de forno, bacalhau e algumas carnes.

Primado Rosé

O Primado Rosé provém das castas tintas mais notáveis da região do Dão, Touriga-Nacional, Tinta-Roriz, Alfrocheiro e Jaen.

Após a apanha manual o mosto foi sujeito a um ligeiro contacto pelicular e posterior sangria. Seguiu-se a fermentação à temperatura de 14ºC durante 18 dias tendo o vinho permanecido em borra fina durante os meses de Inverno.

O vinho apresenta-se brilhante e límpido. A cor rosa intensa resulta da obtenção do mosto por sangria após contacto com as películas. Nos aromas de fruta de polpa intensa resultantes da lenta fermentação é possível identificar a uva e a pera, mas o pêssego sobressai por via retro nasal.

Na boca sente-se a estrutura e o corpo. Guloso e gordo este vinho mantêm a sua elegância num longo final de boca proporcionado pela frescura e acidez.

As suas características tornam-no gastronomicamente muito versátil. Sendo um rosé acompanha bem os alimentos leves das épocas quentes, mas a sua estrutura permite-lhe a harmonização com pratos mais robustos.

O espírito Primado

Autenticidade – O Primado é trabalhado na mais pura tradição de vinificação do Dão. Assume um compromisso com a sua indiscutível origem. É genuíno, é um Dão autêntico!

Diferenciação – produto de um terroir único e de um savoir-faire excepcional, o Primado é superior no seu carácter.

Consistência – o Primado mantém desde a primeira colheita as características ímpares de elegância e capacidade de envelhecimento que o destacam.

“Tenho a convicção de que a determinação e a paciência são características indispensáveis quando o objectivo é a excelência. Raros são os vinhos que melhoram com um longo envelhecimento. Apenas os grandes vinhos possuem esse potencial. O tempo molda a impetuosidade inicial, vai proporcionando a harmonização dos componentes, intensifica a complexidade e apura a elegância”, conclui o produtor.

 

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