Rui Ventura em entrevista : “O meu objetivo é arbitrar sem erros”

O jovem concretiza um sonho e uma aposta de longa data : ser árbitro do escalão máximo do Futsal. A modalidade que tantos motivos de orgulho tem trazido para os Nelenses, vê agora mais um filho da terra atingir o topo na arbitragem.

Rui Ventura, na primeira pessoal, revela-nos o seu percurso no desporto e na sua vida profissional e pessoal.

Conta-nos um pouco deste percurso até chegares a Árbitro da Liga Sport Zone …

Um percurso longo, que se iniciou no ano de 2004 e que foi evoluindo gradualmente até chegar a este grande objectivo pessoal que era chegar à Liga.

Entrei na arbitragem numa brincadeira de amigos da Universidade, estava no curso de desporto e o futebol sempre foi a minhamodalidade de eleição.Fiz a inscrição no curso de arbitragem, conclui-o com sucesso e dias depois estava a fazer o meu primeiro jogo.

No Futsal,mais concretamente, em 2014 surgiu a oportunidade de concorrer para árbitro estagiário dos quadros nacionais e entrar na academia de arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol.Este foi o começo desta caminhada.Passei por vários quadros da arbitragem nacional, onde progressivamente subi de categoria, até chegar à Liga Sport Zone.  

Cerca de 15 anos sempre ligado à arbitragem nacional, quer no futebol de 11, quer no futsal, nos últimos cinco anos por decisão pessoal dediquei-me exclusivamente ao futsal : essa foi uma aposta ganha.

Difícil explicar todos os passos e momentos trilhados para que isto fosse uma realidade.   

Considero-me um jovem feliz por todos esses momentos, quer nos maus momentos, onde na verdade mais reflecti, aprendi e evolui e no reverso da medalha os bons, que serviram para saborear e desfrutar do tempo dedicado à arbitragem.

A arbitragem é o “curso de uma vida”, muito mais complexo do que as pessoas possam pensar.Aqui todos os erros se pagam caro e em instantes se perde o trabalho de anos.O rigor é enorme e na verdade nada pode falhar.

Quando vos falo em trabalho, refiro-me às horas diárias de treinos físicos e mentais, de estudo das leis do jogo e regulamentos.Esta exigência em termos de capacidade física, mental e técnica de arbitragem, focadas num só objectivo – arbitrar um jogo sem erros -, é um dos grandes pressupostos para se ser um bom árbitro.

Agora que vou ter oportunidade de estar nos melhores jogos, com os melhores jogadores e com as equipas de topo do futsal nacional, quero usufruir ao máximo desta experiência.

Sempre foste multifacetado na tua vida – Bombeiro Voluntário, GNR, membro Força Especial de Bombeiros, Professor, Desporto e Arbitragem, entre outras áreas. Com uma formação académica recheada em diversas áreas (Desporto, Protecção Civil, Ensino, Segurança e Higiene no Trabalho), o que te move para abraçares tão grande diversidade?

Sou um jovem competitivo por natureza, mas essa competitividade começa desde logo comigo mesmo. É delineada e sustentada num caminho bem definido, onde efetivamente tenho de me sentir bem comigo mesmo, ou seja, estar no limiar mais elevado das minhas competências. A minha ambição é unânime, ser melhor dia após dia, ser bom em tudo que faço e para isso tenho de me antecipar, tenho de estudar, tenho de me dedicar e empenhar nos objectivos a que me proponho, alargar horizontes e procurar experiências que permitam enriquecer os meus conhecimentos e adquirir novas competências. Eu não sei quando o “comboio” pode passar, sei que se ele passar eu tenho de o apanhar e agarrar as oportunidades.Se não conseguir falhei, e falhar não faz parte dos meus planos, nunca vai fazer – nisto sou peremptório. O mérito advém disto. Para dar vida aos sonhos é preciso ir à luta, ser maior, ser diferente…

Os alicerces da minha identidade devem-se em grande parte a essas etapas académicas e/ou vivências profissionais, moldadas depois com a educação e valores que me foram passados pela minha família e por aquilo que a vida me tem ensinado.

Quero continuar e alargar mais esse leque, quer na formação académica quer na vida profissional.Quando isso não acontecer perco a identidade.

O que me move? Sou um felizardo tenho amigos por todos os cantos no nosso pais e no estrangeiro, trabalhei e trabalho com profissionais de excelência, professores e colegas de turma que são os melhores nas áreas que enveredaram, estive envolvido em momentos inesquecíveis nas instituições onde trabalhei e que dificilmente esquecerei, ao trabalhar em instituições tão nobres e de reconhecimento público. Estes são na realidade alguns dos aspectos que me movem.Este “know-how” que é inqualificável.

Momentos penosos e difíceis foram deveras pedras no caminho que tive de ultrapassar e isso acontece com todos nós, tornam-nos mais fortes!

Dizer-vos que no meio disto tudo ainda dou muitas horas dos meus dias para graciosamente ajudar os outros

Qual o momento do Futsal em Portugal? É uma modalidade que vai continuar a crescer e a apaixonar?

O Futsal é uma modalidade com um crescimento imponente e que tão deliciados tem deixado os seus amantes. Temos os melhores jogadores do mundo, os melhores treinadores e dirigentes, campeões da europa, cada vez mais praticantes, formação base mais consolidada e não posso deixar de referir que são os árbitros de futsal portugueses que estão entre os melhores do mundo.

Está por isso o Futsal em Portugal numa fase de novas conquistas e com os condimentos necessários para crescer ainda mais. Quando na comunicação social se fala na vinda do melhor jogador do mundo, que é português, para o nosso campeonato é sinal que estamos perante os melhores campeonatos na europa e no mundo.

O caminho será a curto/médio prazo o profissionalismo de todos os clubes do primeiro escalão. Certeza é que a aposta da Federação foi forte até aqui e vai continuar a ser em todos os escalões e no futsal masculino e feminino.A prova está nas taças nacionais e campeonatos nacionais jovens, que há uns anos atrás eram uma utopia e hoje são uma realidade.

Os jogos decidem-se em segundos com uma intensidade altíssima e marcam-se golos de elevada qualidade técnica…os fãs vão aumentar neste espectáculo único de emoções.

Uma palavra final para o grande campeão Nelense André Coelho…

O André é um exemplo de dedicação, perseverança, superação, que muitos jovens deviam seguir. Sempre muito focado em trabalhar mais, ter melhores performances que permitam novos desafios e sucesso na sua carreira de jogador.

É também para mim um exemplo que tudo é possível.Guardo uma história muito peculiar com o André, que posso contar. O meu primeiro jogo com selecções, foi um Portugal-França nos sub-21, onde o André jogou.Em conversa no final do jogo, com os restantes árbitros presentes, dizia-lhes que o André era o primeiro a chegar e o último a sair dos treinos, e pelo meio ainda bebia uns pacotes de leite. Passava horas a treinar remates e a brincar com a bola – presenciei muitas vezes esta situação. No caminho para o balneário cruzei-me algumas vezes com ele e tirei uma foto,ao confidenciarmos, um ao outro,que o ideal era chegarmos os dois ao topo e nos encontrarmos muito mais vezes.Seria muito bom sinal. Felizmente isso vai ser uma realidade.Fico muito contente por isso.São estes momentos que têm um sabor especial para quem se dedica tantos anos para conseguir atingir os seus objetivos.

Até neste aspecto o André é uma referência como pessoa.O respeito com que sabe estar no jogo, distinguindo amizade de profissionalismo, é fruto de um profissional de eleição.

O André vai ainda dar-nos muito mais alegrias, tenho a certeza.Estas são as melhores palavras que posso tecer, para o André e para as nossas gentes.

Uma palavra de apreço também para outros jogadores Nelenses que têm dado cartas no Futsal em Portugal.

Agradecer a oportunidade desta entrevista e a todas as pessoas que pessoalmente e por mensagens me têm dirigido palavras de felicitações.

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