Governo confirma : “requalificação da Linha da Beira Alta tem financiamento assegurado e está a avançar”

O Bloco de Esquerda exige que os 700 milhões de euros de fundos estruturais destinados à requalificação da ferrovia Aveiro-Vilar Formoso, chumbada pela Comissão Europeia, sejam aplicados em linhas como as do Vouga, Cascais, Oeste e Alentejo.

A medida foi defendida em Espinho pelo deputado Heitor Sousa, que, para chegar àquela cidade se deslocou num comboio da Linha do Vouga, a partir de Santa Maria da Feira, onde diz ter confirmado que a respetiva estação ferroviária está “isolada, sem nada à volta”, e que o estado dos comboios aí em circulação é “um bocadinho pré-histórico”.

“A modernização da linha para transporte de passageiros e mercadorias entre Aveiro e Vilar Formoso não foi aprovada pela Comissão Europeia e os 700 milhões de euros [reservados para esse efeito pelo programa Ferrovia 2020] devem ser reencaminhados para outros projetos ferroviários”, defendeu Heitor Sousa.

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas “resiste a abandonar o projeto na esperança de que a Comissão Europeia venha a aprová-lo, mas, enquanto isso, outras linhas férreas com bastante importância para o país já podiam estar a usufruir dessas verbas”, afirmou.

O deputado do BE argumentou que essa reafetação de verbas devia ter repercussão no Plano Ferroviário Nacional, de forma a viabilizar “a requalificação de linhas úteis que ainda existem a nível regional e nacional” e a reativação de outras “que deixaram de existir e deviam estar em utilização, como a do Tâmega, Corgo e algumas do Alentejo”.

“É que os tais 700 milhões de euros não foram para a linha até Vilar Formoso nem foram para mais lado nenhum”, realçou o parlamentar. “Como se não bastasse uma parte dos projetos do Ferrovia 2020 estarem bastante atrasados, estimando-se que ano e meio a dois anos, ainda se vai desperdiçar esta oportunidade”, criticou.

Exemplo particularmente evidente para o BE de ferrovia que teria a beneficiar com essa reafetação de investimento é a Linha do Vouga, porque para o respetivo troço entre Oliveira de Azeméis e Espinho “já existe um estudo de viabilidade feito pela Área Metropolitana do Porto”.

Segundo Heitor Sousa, o documento “prevê que a linha seja requalificada para passar de via estreita a via larga, adaptando-se à bitola ibérica, e isso permitiria que os comboios circulassem diretamente até à estação principal de Espinho, para se ligarem à Linha do Norte”, seja em direção ao Porto ou a Lisboa.

“Isso garantiria à Linha do Vouga mais velocidade, maior frequência de comboios e, no geral, mais qualidade de serviço”, disse o deputado. “O projeto já foi apresentado pelo BE, mas chumbado pelo PS, que precisa de perceber que isto é condição para que Portugal combata efetivamente as alterações climáticas”, argumentou.

No mesmo contexto, também a Linha do Oeste teria a ganhar com a reafetação das referidas verbas, que permitiriam que a requalificação prevista apenas até às Caldas da Rainha “passasse a verificar-se no troço integral da ferrovia, até Coimbra B ou à Figueira da Foz”.

Num e outro caso, o que o BE pretende é que o Governo “concretize uma efetiva descarbonização dos transportes, de forma a substituir o rodoviário pelo ferroviário na década de 2020-2030”.

Em reação à posição hoje tomada pelo BE, o Ministério do Planeamento e Infraestruturas lamentou que a ambicionada construção de uma nova ligação ferroviária entre Aveiro e Mangualde não venha merecendo financiamento por parte da estrutura Connecting Europe Facility, que é a entidade que financia os projetos no âmbito das redes transeuropeias de transportes.

O Governo nota, contudo, que a linha Aveiro-Mangualde integrava já o Corredor Internacional Norte, “do qual a requalificação das Linhas da Beira Alta (Mangualde-Vilar Formoso) e Beira Baixa (Covilhã-Guarda) já tem financiamento assegurado e está a avançar”.

Quanto às opções do plano Ferrovia 2020, lançado pelo Governo em fevereiro de 2016, “visa a requalificação da rede ferroviária fundamental e representa um investimento global superior a 2 mil milhões de euros que põe termo a décadas de desinvestimento na ferrovia”.

Fonte : DN on line