SUPERNANNY: desespero ou falta de ética?

No dia 14 de janeiro, foi emitido na televisão portuguesa, em horário nobre, o 1º episódio do novo programa SuperNanny. Programa este que consiste na identificação e exposição de uma família cujo(a) filho(a) apresenta problemas comportamentais. Após ser efetuada a contextualização da referida família e de serem apresentados os comportamentos da criança, é contactada a Psicóloga para se deslocar à habitação desta família e, assim, observar in loco os comportamentos da criança.

Toda esta situação seria absolutamente normal, não fosse a exposição pública que a criança (e toda a família) foi alvo.

Após a exibição do 1º episódio vários organismos, como a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens em Risco (CNPDCJR), a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) e a Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados, alertaram para a falta de ética e para a falta de preservação da imagem das crianças, bem como para os efeitos nefastos que daí podem advir. Efeitos esses que podem repercutir-se no prejuízo das relações familiares e sociais da criança, bem como na saúde mental da mesma.

A estação televisiva apenas apresentou 2 episódios, sendo posteriormente notificada para cancelar a transmissão do referido programa.

Quanto á criança, é importante ter em consideração que não sabemos, até que ponto a presença de câmaras influencia o comportamento, exacerbando ou inibindo o mesmo. Nesta faixa etária, geralmente existe a tendência para adotar uma postura de comportamento desafio/oposição, que explica, em parte, a desobediência e o incumprimento de regras.

Por fim, caro leitor, importa destacar que é perfeitamente normal os pais apresentarem dificuldades na forma de educar o seu filho e sempre que se justificar, devem procurar ajuda especializada, mas nunca expondo a intimidade da relação familiar perante milhares de pessoas.

» Marcelo Costa

Psicólogo Clínico • marcelocosta10@live.com.pt

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