Como a Movecho está a ser disruptiva

Entrevista com o CEO Luís Abrantes

Em curso, o vosso investimento, abrange expansão de capacidade produtiva e inovação tecnológica. Pode caraterizar-nos o projeto?

Este investimento consiste em atuar na área tangível e intangível, sendo essencialmente um projeto de inovação industrial. Estamos a investir em novas tecnologias, pioneiras, que são totalmente disruptivas, tendo algumas delas sido por nós desenhadas para determinados nichos de mercado. Estamos a contratar designers e técnicos altamente qualificados, para criarmos novos produtos, num projeto muito ambicioso e abrangente.

Este é então um grande passo na evolução tecnológica da vossa empresa?

Eu diria que é mais um passo, mais uma etapa importante no nosso desenvolvimento e aperfeiçoamento, na sequência dos investimentos que continuamente temos feito. Este é de facto um investimento mais avultado, abrangendo todas as áreas da empresa, incluindo o nosso “lay out”, em que nada vai ficar no local que estava anteriormente.

Robótica, inteligência artificial e criação de emprego neste projeto. O que nos pode adiantar sobre esta situação e sobre a dialética que encerra?

Em primeiro lugar vamos situar o que é a robótica dentro da Movecho. No sentido produtivo, no que diz respeito à maquinaria 3D, temos uma tecnologia realmente inovadora, adaptada às nossas necessidades, incluindo impressão 3D, num salto muito significativo. Relativamente à criação de emprego, em 2017 já criámos 27 novos postos de trabalho, sendo que 15 deles estão em formação, com grande enfoque na área técnica.

A Movecho continua a apostar num quadro de pessoal altamente qualificado?

Claramente. Estamos sempre abertos a contratar técnicos qualificados, com determinada formação académica e depois aqui damos formação, para que adquiram as competências que são necessárias para desempenho das respetivas funções.

Têm sentido dificuldade, que parece transversal a toda a economia, em contratar mão de obra qualificada?

Esse é realmente um problema de todo o país e de toda a Europa. Não sei se neste momento haverá algum empresário a não sentir essa dificuldade. Por exemplo a Alemanha é um dos países que mais sente esse problema.

A indústria 4.0 ao ser tão disjuntiva, de forma tão rápida, vai eliminar muitos empregos nas chamadas áreas tradicionais?

A questão é que a indústria 4.0 está aí e ninguém pode fugir dela – é uma inevitabilidade a digitalização dos processos produtivos, que a carateriza. Vindo na sequência da digitalização de toda a economia, temos que estar na linha da frente destas transformações e a Movecho está totalmente preparada para estas inovações e precisamos muito de mão de obra preparada para elas.

No quadro de pessoal temos neste momento 47 colaboradores com formação superior, o que é extremamente importante, num conjunto de 200 pessoas. É no entanto muito importante a formação contínua, para valorização dos talentos e competências, independentemente da sua faixa etária, para assim nunca estarem desfasadas do mercado.

A disrupção pode conduzir à desproteção de empresas e negócios?

A única forma de evitarmos isso é sermos permanentemente disruptivos. Quero dizer com isto que quando o mercado estiver a copiar um produto que seja inovador, e como a velocidade nos negócios é cada vez maior, nós já temos que estar a pensar noutros produtos, porque não é possível travar as cópias, sendo que o ciclo de vida dos produtos é também muito mais curto do que antigamente.

A vossa estratégia continua a privilegiar o design e criação de novos produtos inovadores, como os elaborados com cortiça. Têm ganho vários prémios, sendo finalistas no COTEC Inovação nos últimos três anos (única empresa no setor tradicional). Que importância lhes atribui?

Temos tido a felicidade de ganhar alguns prémios, que têm sido muito importantes, pois qualificam as pessoas e as empresas, dando-lhes notoriedade. Eles representam também uma responsabilidade para olharmos para o futuro e fazermos por continuar a merecê-los.

Ambiente. Alterações climáticas, sobreaquecimento, incêndios devastadores, seca severa e a água escasseia. Para onde caminha o Planeta Terra? A Movecho é uma empresa amiga do Ambiente?

Eu diria que caminha para um funil. As alterações climáticas estão aí e todos temos que dar um contributo para minorarmos o impacto da ação humana na degradação do meio ambiente, desde logo a economia circular. Esta área não pode ser indiferente a ninguém. A Movecho é ambientalista, mas não fundamentalista. Nós fazemos por ser uma empresa verde – desde a eficiência energética, à economia circular, damos esse contributo social, sendo também importante para a imagem da empresa.

Legenda foto: Luís Abrantes CEO da Movecho com o Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral