“O vinho Tinto é uma modernice – antigamente o Branco era o vinho das elites”

Varandas da Serra Branco 2014 foi o expoente máximo do evento de apresentação do “Museu Virtual História do Vinho”, ontem, 10 de Janeiro, em Lisboa, num local também ele histórico,sobranceiro ao Tejo. O Professor aposentado do Instituto Superior de Agronomia, Virgílio Loureiro, foi o responsável por um equipa que teve como missão investigar as origens históricas do Dão e vertê-las para o site criado pela Lusovini. 

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Um ambiente com muita história – vestígios arqueológicos de um Teatro Romano no Museu de Lisboa, muito glamour e arte, foi palco para um grande evento promovido pela Lusovini, para apresentar o seu novo projeto. O Museu Virtual História do Vinho (www.museuvirtualhistoriadovinho.com), já está disponível e nele se podem encontrar muitas curiosidades, navegando por uma linha do tempo, desde o mais antigo registo histórico da produção da espirituosa bebida (seis mil anos antes de Cristo,no Cáucaso) até aos dias de hoje. Petiscos com assinatura do Chef Vítor Sobral, casaram na perfeição com alguns vinhos históricos degustados, de produtores oriundos de Valpaços e Ourém (um branco, um “palhete”, com uvas tintas e brancas, e um “sangue de cristo”, avermelhado e perfumado com ervas).

Para o final do evento, estavam guardados dois grandes tesouros : Um Branco de 1974 produzido no Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão (Quinta da Cale em Nelas) e o Varandas da Serra Branco 2014, produzido pela Lusovini, a partir de uvas de vinhas velhas. O Professor Virgílio Loureiro depois de ter desafiado a Enóloga e Sócia da empresa, Sónia Martins, a deixar para o final da prova (e depois de um Tinto Reserva Pedra Cancela) o magistral Branco Varandas da Serra 2014, revelou que “recentemente numa deslocação à região Francesa da Borgonha, verifiquei que os Brancos foram deixados para o fim da prova, o que veio dar razão aos que defendem que os Tintos são uma modernice, pois antigamente eram os Brancos os grandes vinhos das elites”. Este Varandas da Serra 2014 “queremos abri-lo também daqui a 20 anos”, afirmou a Enóloga, demonstrando a grande longevidade que tem pela frente.

Nos discursos proferidos, nota para o Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que enaltecendo o evento, frisou : “A região Centro, onde está situada a região demarcada do Dão, foi a que mais cresceu em termos turísticos no país e a aposta no Enoturismo é determinante para este êxito”. Casimiro Gomes agradeceu a eficácia com que conseguiu levar a cabo o evento, em parceria com o Museu de Lisboa, sublinhando que “este projeto destina-se a promover o Dão, mas também todos os Vinhos de Portugal, além fronteiras”. “Exportamos cerca de 75‰ do total das vendas e este Museu Virtual estará em breve também disponível em Mandarim e Francês”, fez saber.

Um simbiose perfeita entre arte, cultura, história, gastronomia e vinhos, que registou a presença de dezenas de jornalistas, críticos de vinhos e “somelliers”, como João Paulo Martins e Manuel Moreira, entre outros. Também o presidente da CVR do Dão, Arlindo Cunha, se associou à iniciativa e marcou presença no evento.