Incêndio Carregal do Sal : Câmara vai fazer parque para madeira queimada. Pequenos agricultores debatem-se com acesso a apoios

Deputado do Bloco de Esquerda, Pedro Soares, visitou o concelho,onde ardeu 60% do território, tendo sido consumidas pelas chamas 32 casas de primeira e segunda habitação.

O maior problema identificado pelo deputado Pedro Soares é “os agricultores, com produção de subsistência, que não estão contemplados nas propostas do Governo por não serem considerados agricultores. São pequenos agricultores com idade avançada, na sua larga maioria.  Se não tiverem apoio para a reconstrução vão abandonar”.

No concelho são já cerca de 150 os agricultores a declarar prejuízos, entre 3 mil a 5 mil euros por exploração. Arderam 32 casas de primeira e segunda habitação.
“Num futuro próximo poderemos ser chamados de criminosos de não fizermos nada para conter manchas contínuas de eucalipto.  Criar zonas tampão é uma emergência. Temos que aproveitar agora para ordenar a floresta repartindo por todos o custo da compartimentação”, adiantou o edil de Carregal do Sal
“Não morreram mais pessoas por milagre. É altura de tomar medidas, vamos reflorestar mas como deve ser. Temos que ter Equipas de Sapadores”, sustentou Rogério Abrantes, que explicou  ter feito mais de 50 notificações para limpeza de faixas de proteção das casas a seguir ao grande incêndio de Pedrogão. “Foi muito importante e evitou a progressão do incêndio.  Esta era uma das melhores áreas de pinheiro manso do país e já fizemos quatro Feiras da Pinha e do Pinhão, numa aposta para a valorização do pinheiro manso”, revelou ainda, criticando o Instituto de Conservação da Natureza por “contrariamente ao nosso parecer, ter dado luz verde para a plantação de eucalipto em áreas protegidas”. “Não tenho nada contra o eucalipto, mas a sua plantação tem que ser ordenada”.

Pedro Soares, por seu turno deu a conhecer as Unidades de Gestão Florestal (UGF): “São uma ferramenta para promover a gestão agregada de áreas contínuas, permitindo o necessário planeamento e reordenamento florestal ou agro florestal”, referiu,exortando os municípios a “empenharem-se na promoção da constituição de UGF´s”.  “Há urgência em ordenar o eucalipto, como também organizar os pequenos produtores.  Ganhar escala para a gestão e ordenamento só através de modelos quer permitam a gestão conjunta de áreas significativas, essa é  a forma associativa ou cooperativa, são as UGF”,
A autarquia vai fazer um parque para juntar madeira queimada. Só no pinhal de Leiria o aumento de madeira de pinheiro vai ser de 35 mil para 1 milhão de metros cúbicos de madeira. No país 3 milhões é o cálculo para o pinheiro.
A visita terminou nas Caldas da Felgueira, com visita à área ardida e pequeno “briefing” com alguns residentes e bombeiros.