O “Rei Silva” mantém-se nos limites do irrazoável

No dia 19 de julho, foi publicado na página da Câmara Municipal, mais uma fantástica parábola sobre a forma como é exercida a função da presidência no nosso concelho. Nesta fantástica história que tem por título Parque de Autocaravanismo, podemos comprovar as várias facetas que temos vindo a desvendar sobre o “reinado” do atual presidente da Câmara.

Antes de mais verifica-se que o atual presidente mantém a sua postura antidemocrática e a ingerência nas organizações, se não veja-se:

• Pese embora, seja dada indicação de que a iniciativa e o cargo da obra seriam da Junta de Freguesia de Nelas, a verdade é que esta obra foi proposta, defendida e cancelada pelo presidente Borges da Silva, intrometendo-se mais uma vez nas competências que legalmente não lhe cabem.

• Continua o presidente Borges da Silva a falar das decisões da câmara, como se esta se tratasse de um órgão monárquico, onde só sua decisão conta. Esquece-se, pois, que esta é um órgão colegial, onde as decisões são fruto de debates e tomada de decisões por maioria. Se assim a trata-se, estou certo que a obra não teria avançado, mesmo que tivéssemos de ouvir as lamúrias habituais do “Não me deixam trabalhar”.

• Para além dos órgãos da câmara, imponha-se que ausculta-se a opinião da população, principalmente os moradores e as entidades vizinhas da zona onde a estrutura seria construída. Se assim o tivesse feito, tinha percebido logo que tal estrutura não colheria contento, e não haveria necessidade de a população reagir com um abaixo assinado, contra a construção da mesma.

Verificamos também que se mantêm a linha política de esbanjamento e de justificações descabidas para os mesmos, pois vejamos:

• Diz o Borges da Silva, “Tal infraestrutura é absolutamente necessária para revitalizar, com pessoas, todo o comércio e serviços tradicionais existentes no centro da vila e que vem definhando nos últimos anos.” Mas será que alguém acredita, que um Parque de Autocaravanismo, enfiado num “buraco” sem qualquer elemento que o torne atrativo será a salvação do comércio tradicional!

• E diz ainda “….. essencial para a atração turística para o centro histórico de Nelas”. Mas se era para potenciar o turismo no concelho, faz sentido apostar primeiro no centro histórico de Nelas? Não faria mais sentido, tirar os “olhos do umbigo” e procurar um lugar aprazível em Santar, ou mesmo Canas de Senhorim?

• Haveria necessidade de iniciar uma obra à pressa, por pura iniciativa pessoal, sem ser pré-estruturada a ideia e o projeto, ficando desde logo condicionada a utilização e sentido de utilidade pública do dinheiro gasto.

Por último e não menos importante, a alinha e) do comunicado em causa, onde existe o desplante após ter apresentado quatro parágrafos de justificações aberrantes, vir vitimizar-se dizendo que a culpa não é sua, mas sim de quem cria controvérsia e que para salvaguardar os interesses dos utilizadores irá cancelar o projeto. Ora esta…… a culpa é mais que sua, é só sua. E os interesses dos Autocaravanistas! …. Ora bolas….  e os interesses dos moradores! E os interesses do concelho!

Esta posição, que se junta a muitas outras, são demonstração de que se perdeu a razoabilidade no exercício do poder inerente ao cargo de presidente da Câmara Municipal, ultrapassando-se limites que em nada dignificam o concelho.

Urge ter novas práticas, ouvir e trabalhar com sinergias de grupo, onde todos contam, onde fazer melhor é obrigatoriamente fazer diferente das práticas correntes.

Daniel Marialva

Presidente da Comissão Política do PSD Nelas