“Jardins Efémeros” apresentado ontem em Viseu. Evento multicultural decorre entre 7 e 16 de Julho

“Queremos mostrar projectos que as pessoas nunca teriam oportunidade de ver nem em Viseu nem em Portugal”. Foi com estas palavras que Sandra Oliveira, mentora e criadora dos Jardins Efémeros, apresentou ontem o festival cultural multidisciplinar que vai realizar-se em Viseu entre os dias 7 e 16 de Julho.

“Paradoxo” é o tema da 7ª edição, cujas criações, de arquitectura, artes visuais, instalações, música e cinema, procuram contribuir para uma reflexão sobre os valores humanistas e democráticos.

Entre os destaques da programação há cinema ao ar livre, que este ano recupera os clássicos de Orson Welles ou Wim Wenders, concertos no interior da Catedral de Viseu, na Sé da Misericórdia e no Museu Nacional Grão Vasco, ou o festival literário “Off The Page”, da maior revista do mundo de música, a The Wire.

Os artistas Gabriela Albergaria e Pedro Tudela e os arquitectos Nuno Vasconcelos e Nuno Durão criam uma imponente peça para a cidade de Viseu e para os Jardins Efémeros, inspirada na natureza e no património cultural da região. A “Peça para Perséfone” questiona a ideia de jardim e vai transformar a Praça D. Duarte numa galeria a céu aberto.

Odete Paiva, Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Viseu, e Sandra Oliveira, mentora e criadora dos Jardins Efémeros. | Fotografia: Tiago Canoso

O festival vai ter ainda uma componente social com a instalação feita por Pedro Rebelo e pelo colectivo de Barcelona BeAnotherLab com a comunidade cigana do Bairro Social de Paradinha, em Viseu, que tem como objectivo dar a conhecer a realidade das pessoas que ali vivem. O resultado final vai estar exposto no Museu Nacional Grão Vasco até 20 de Agosto.

Outro projecto inclusivo é uma colecção de jóias muito especial. Trata-se de uma parceria entre a Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal, a Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21, a Associação de Viseu de Portadores de Trissomia 21 e as Ourivesarias Pereirinha. As peças vão ser comercializadas após o evento e os lucros revertem para estas associações.

A Casa do Sonho promete ser outro momento importante dos Jardins Efémeros: o projecto é composto por várias actividades destinadas a educar e estimular a capacidade criativa de crianças e jovens: há sons para descobrir, cozinha para saborear, passos de dança para aprender, convívio entre pais e filhos e muitos outros momentos de lazer.

O festival inclui ainda performances de teatro, um espectáculo de ilusionismo, mercados informais de produtos regionais, artesanais, sons e letras e 70 oficinas com mais de 3.000 vagas preparadas para todas as pessoas, de todas as idades.

Fonte : Descla