“Não nos falta mercado, falta é capacidade de produção”

Carlos Aquino, administrador e CEO do maior fabricante europeu de sofás, projeta o futuro do Grupo que dirige, com a produção diária de 6500 sofás e 6 mil colchões, após o início da laboração em Carregal do Sal, que acontecerá em breve.

A oportunidade de negócio, aliada a dificuldades de mão na maior unidade fabril, situada em Tábua, levou o Grupo Aquinos à aquisição dos pavilhões da falida Basmad na Zona Industrial de Oliveirinha e, em tempo recorde, por exigência do mercado, ao arranque da laboração já em outubro, depois de um investimento de 12 milhões de euros e criação imediata de 360 empregos, número que deverá duplicar no curto prazo.

Carlos Aquino revelou em entrevista recente à Revista Exame (damos nota que tentámos, sem sucesso até ao momento, um contacto com o responsável máximo pelo Grupo) que a estratégia de crescimento continua sólida, dado que “não nos falta mercado”. Sempre em busca de novas oportunidades de negócio, inclusive em termos de instalações e disponibilidade de mão de obra (que se mostra escassa em muitas situações), Carlos Aquino explica que “uma das bases do sucesso é estar sempre a trabalhar mais à frente e por isso temos 30 pessoas dedicadas às áreas de investigação, desenvolvimento e design”.

Atuamente com 2500 trabalhadores, a empresa fundada em 1985, atingiu um volume de negócios de 125 milhões de euros em 2015, o que representa um crescimento de 40% face a 2014. “Só nos últimos quatro anos investimos 80 milhões de euros e queremos inovar cada vez mais, entrando também no segmento de mercado de luxo”, indica. O crescimento tem sido orgânico, pois “a experiência prova-nos que é melhor produzir dentro de portas do que por subcontratação”, potenciando assim a competitividade, quer em termos de qualidade, quer em termos de preço. E é no seio do grupo que são fabricadas componentes de madeira, espuma, fibras e molas, como “inputs” para o fabrico de sofás e colchões.

Produzir no Sudoeste Asiático está também no horizonte do maior empregador privado da região centro, com a Indonésia a ser o destino preferencial, depois da aposta na compra do grupo Francês Cauval ter sido gorada, depois das auditorias efetuadas terem revelado “problemas sérios”. “Seria uma aquisição muito importante, para podermos entrar no segmento de mercado de luxo, mas já estamos a trabalhar num plano B”, explica. E a história mostra que Carlos Aquino “não dorme à sombra da bananeira”. Exemplo da sua persistência e capacidade de assumir grande desafios é a forma como conseguir penetrar no mundo Ikea. O seu principal cliente foi “namorado durante muito mais tempo” do que a própria esposa. Foram precisamente cinco anos para obter a primeira encomenda de 750 sofás, isto depois de “na primeira abordagem não me terem ligado nenhuma”. Mas o interesse superior em conquistar este cliente estava no topo das suas prioridades, pois “paga muito bem, tem volume e uma visão que se encaixa muito na nossa, ajudando-nos muito em melhorar a máquina da eficiência”.

Atualmente, a Ikea e Conforama absorvem 60‰ das vendas de um grupo que sempre viu os mercados externos com grande potencial para poder crescer. E é assim que está a crescer em destinos como o Chile, Brasil, Canadá e Ásia. Aos 52 anos, este gestor confessa nunca ter “pensado chegar tão longe”. Nelas e Carregal do Sal são dois dos vértices do triângulo que corresponde à sua base industrial hoje em dia, em conjunto com Tábua. Nos dois concelhos, e no curto prazo, poderá empregar mais de mil trabalhadores.