Orca da Lapa do Lobo poderá transformar-se em espaço museulógico

O projeto das escavações do monumento megalítico da Orca da Lapa do Lobo terá a duração de três anos e integra diversas outras intervenções nos concelhos de Nelas e Carregal do Sal. Perdido há mais de 100 anos, o Dólmen da Lapa do Lobo (também designado Orca ou Anta), foi avaliado inicialmente pelo Prof. Senna Martinez como “não tendo grande interesse”. Posteriormente e numa análise mais detalhada, mostrou-se “uma caixinha de surpresas”, como referiu na Conferência que proferiu ontem na Fundação Lapa do Lobo sobre o tema.

Apresentando imagens dos diversos arfefactos encontrados até ao momento, dos quais se destacam mais de 20 estelas, com representações antropomórficas, com ênfase, como era usual na época, para a mulher, o Arqueólogo situou o monumento, que agora se começa a revelar (como as imagens documentam, numa visita que no final foi efetuada ao local), no neolítico antigo e médio, ou seja, estamos a falar de há pelo menos 6 mil anos atrás. “Ali existia um pequeno habitat, provavelmente para no máximo dez pessoas, com diversas cabanas que poderiam ter sido usadas para armazenar vegetais”. “A devoção aos mortos, seus antepassados, era intensa e também ela o significado da própria vida. O local era assim também fúnebre, de cerimoniais e oferendas aos falecidos, o que era um garante da própria continuidade da comunidade”, detalhou.

E como encaixar tudo isto nas mentalidades da época ? “O ciclo agrário é algo estruturante, profundamente enraizado, representando o próprio ciclo da vida para estes povos – tudo nasce da terra e volta à terra – eram sociedades profundamente camponesas, que queriam manter as tradições”, explicou.

Criação de espaço museulógico requer muita atenção na manutenção

“O problema mais sério dos monumentos megalíticos é a manutenção – tem que haver alguém que seja “fiel depositário” do espaço e dele cuide, para não se deteriorar”, alertou o Professor, perante o entusiasmo desde logo manifestado por Carlos Cunha Torres, líder da FLL,com o projeto, assegurando que tudo fará, em conjunto com a Junta de Freguesia, para que o monumento seja preservado, constituindo assim mais um atrativo para a primorosa aldeia Beirã, que poderá vir a contar com este espaço museológico.O presidente da Câmara de Nelas, presente na sessão, mostrou todo o seu apoio a estas iniciativas, enaltecendo o trabalho de toda a equipa envolvida e a parceria estabelecida entre as várias entidades envolvidas. Borges da Silva frisou que o projeto “tem um grande interesse para o desenvolvimento económico da região”, e agradeceu o trabalho voluntário que está a ser feito, realçando a sua importância com o impacto que vai ter, explorando-se na plenitude toda a “singularidade deste território”.

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