À prova no Senta Aí: Quinta das Marias e Quinta do Sobral ao mais alto nível

Quinta das Marias e Quinta do Sobral lançam novos néctares. Fomos prová-los no Wine Bar Nelense, com a empresária Maria João Ribeiro e a farmacêutica Helena Marques
Uma grande viagem sensorial foi a proposta. E a viagem começou mesmo por uma das principais regiões vínicas do mundo – Bordéus.
A Meca do vinho foi o primeiro motivo para uma pequena aula, dada pela farmacêutica nossa convidada. Helena Marques contou algumas curiosas histórias, que revelam todo o potencial terapêutico da uva e da videira. “Nas podas em Bordéus a própria água que a videira liberta, ao ser colocada no rosto, tinha como efeito a remoção de manchas e a hidratação”, conta, aludindo a uma linha de produtos comercializados na Farmácia Faure, de origem Gaulesa, baseados na película da uva. “Os polifenóis ali presentes, com particular relevância para o resveratrol, são o mais potente antioxidante que existe e assim protegem as células da oxidação e envelhecimento, com um sem número de benefícios para a saúde”, explica. “A descoberta em Bordéus teve a ver com a constatação da maior longevidade dos seus residentes”, o que levou ao desenvolvimento “desta e doutras linhas de produtos de cosmética”.
Enquanto a proprietária do espaço, a empresária Maria João Ribeiro, dava ordens para um desfile de iguarias regionais, abrimos o primeiro néctar na noite. O Branco Lote 2015 da Quinta das Marias. Verdadeiramente surpreendente. Intenso foi o denominador comum para as nossas convidadas. Este blend de 2015, proveniente de uma nova vinha em comodato, foi vinificado com as castas semillon, barcelo e gouveio, que plantadas num terroir que não é o seu nativo, mostram toda a sua frescura e elegância. Evidenciando notas cítricas, carateriza-se por uma excelente densidade e fim de boca com bom comprimento. Um vinho volumoso, com boa aptidão gastronómica, mas também para beber fora da refeição, como realçou Maria João Ribeiro. As sardinhas em escabeche e salada de bacalhau com grão, casaram na perfeição com um vinho muito equilibrado e redondo.
O convidado seguinte foi o Encruzado de 2015 da Quinta do Sobral. Este monocasta, acabado de engarrafar, mostra já o seu potencial, mas como é caraterístico da uva, precisa de uns anos em garrafa para o revelar na plenitude. Os citrinos voltaram a destacar-se, num vinho claramente gastronómico, que fizemos acompanhar com Queijo Serra da Estrela. Muita elegância e mineralidade, num grande Encruzado.

A conversa à mesa, enquanto aguardávamos pelas iguarias seguintes, deambulou pelas estruturas moleculares presentes no vinho, que oxidam com facilidade, pois quando em contacto mais prolongado com o oxigênio quebra-se essa estrutura, transformando-se por completo os sabores, havendo contudo casos, como nalguns vinhos brancos, em que essa oxidação é muito sedutora para amantes de vinhos mais complexos. Já tudo o que seja exagerar em conservantes e ácidos carbónicos pode prejudicar a saúde, como enfatizou a nossa convidada Helena Marques.Com picadinho à Madeirense, entremeada à Ribatejana e a magnífica marrã (carne de porco frita na sua própria gordura e regada com vinho tinto, servida tradicionalmente nos finados), degustámos dois tintos: o Quinta do Sobral Touriga Nacional de 2013 e o Quinta das Marias Alfrocheiro de 2014. Grande caráter e vigor, com os frutos silvestres (a lembrar mesmo os aromas dos frutos pretos nas silvas, como lembrou Helena Marques) do Alfrocheiro, e o chocolate e notas florais da Touriga Nacional, bem presentes e que no final ainda acompanharam bem doces diversos, incluindo um soberbo petit gateau.