Os mil empregos criados no concelho de Nelas e a classificação estatística de desempregado

O número avançado pelo presidente da Câmara de Nelas, relativo à criação de empregos no concelho nos últimos dois anos, tem suscitado por parte do Vereador Manuel Marques algum questionamento. 
Não existe qualquer razão para duvidar do número aproximado de mil empregos. O facto de Borges da Silva ter estreito contacto com os empresários, fazendo (e bem) o seu papel de promoção do investimento e emprego no concelho, confere-lhe informação fidedigna e rigorosa. A isto acresce o facto de diversas das empresas por ele citadas revelarem amiúde à comunicação social (inclusive nacional), o volume de emprego associado a projetos de expansão ou aquando da criação de novas unidades industriais (como foi o caso da Aquinos). Até aqui nada de novo, parecendo-nos completamente credível e rigoroso o número adiantado pelo edil de Nelas. 
A questão colocada por Manuel Marques, da diferença no número de desempregados inscritos no IEFP ser apenas de 258 em três anos (entre 2013 e 2016), além dos fatores que mencionou (na minha opinião o principal dos quais que alguns destes empregos criados são de fora do concelho, logo de inscritos noutros concelhos – o que de igual forma é um forte contributo para a economia regional e nacional), o Vereador do CDS/PP esqueceu-se daquele que é, na minha ótica, o fator que mais explica esta diferença. 
A questão é saber como o IEFP classifica os desempregados. Ou seja, e como abaixo se comprova, o Instituto de Emprego não considera como desempregados, mas sim ocupados,ativos com contratos Emprego Inserção e Contratos Emprego Inserção+ (a

ntigos POC), estagiários e muitos trabalhadores que estão em ações de formação profissional. Ora sabemos que hoje em dia uma grande parte das contratações são feitas via IEFP e logo provavelmente uma fatia muito considerável destes empregos criados no concelho de Nelas seja de trabalhadores que, embora de facto desempregados, não estão considerados como tal nas estatísticas.

FONTE para a informação abaixo transcrita : 
Questão colocada ao INE sobre o conceito de desempregado, para efeito estatísticos. A resposta obtida foi a seguinte: 
   (1) Os desempregados que estejam em Contratos Emprego Inserção e Contratos Emprego Inserção+ (antigos POC) promovidos pelo IEFP são considerados como empregados; 
   (2) Os estagiários são também considerados como empregados (talvez seja por isso que o governo pretende diminuir o período de estágio de 12 meses para 9 meses, pois assim aumenta o seu número); 
   (3) Os desempregados que estejam em ações de formação profissional são considerados como desempregados ou inativos consoante o cumprimento dos critérios associados a cada conceito (por ex., se não tiverem procurado emprego no período de referência do inquérito, ou não estiverem disponíveis para começar a trabalhar imediatamente não são considerados desempregados). 
Desta forma, transformam-se desempregados em empregados, ou desempregados deixam de ser considerados desempregados. E assim se reduz o desemprego oficial.


José Miguel Silva