O Caso Spotlight – nos bastidores do verdadeiro jornalismo de investigação

No dia em que completo (oficialmente) 30 anos no jornalismo não posso deixar de homenagear a Rádio Boa Nova, que ajudei a fundar em 19 de Março de 1986.
Foi o ponto de partida, o embrião para uma geração que se foi afirmando no jornalismo nacional e local. Assino por baixo o que o meu amigo e colega Luís Baila, desde Brasília, deixou hoje na sua página do Facebook – “a minha dívida de gratidão é eterna”. Ali também nos formámos como homens. Parabéns à Rádio Boa Nova.
Neste dia tão especial, não posso também deixar de enaltecer o trabalho de todos os que mantêm bem vivo o jornalismo de proximidade. 
Aproveito também a oportunidade para deixar aqui três ou quatro notas a propósito do filme premiado como o melhor do ano pela Academia de Hollywood. “O casoSpotlight” é obrigatório para os jornalistas. O jornalismo de investigação, incómodo e irreverente, tem nesta estória certamente um dos seus expoentes máximos. Depois desta grande investigação, que teve como alvo o sistema e não apenas casos individuais, o abuso sexual de menores foi colocado na ordem do dia. 
O caso revela uma igreja pervertida, poderosa e com muitas “maçãs podres”. Perante a perplexidade dos jornalistas, só em Boston foram descobertos 87 padres que cometiam abuso sexual sobre crianças frágeis e indefesas. Existirá crime mais atroz ? 
Retive a coragem e deontologia da equipa de jornalistas que agarrou o caso, como se da sua própria vida se tratasse. A cena em que Menendez em pleno Tribunal e perante a recusa em aceder a documentos que eram públicos, corre atrás de um juiz para lhe conceder autorização, é digna de constar nos compêndios do dever de um jornalista. 

No final, a lista de cidades, em todo o planeta, onde se registaram casos de pedófilia por parte de padres, depois de décadas de branqueamento de tão hediondo crime. 
José Miguel Silva

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