Samuel Pimenta inicia escrita do seu novo romance que decorre em Pinheiro

O escritor Samuel Pimenta depois de ter ganho umas das mais importantes bolsas do Centro Nacional de Cultura (CNC), no final de 2015, iniciou o regime de residência artística no início de janeiro em Pinheiro – Carregal do Sal. O objetivo é dar início à escrita de um novo romance, a publicar este ano, no qual pretende homenagear as suas origens e levar aos leitores os recantos da aldeia natal do seu avô e dos lugares onde vive a sua família.
“Conheço Pinheiro desde que nasci, parte da minha família é originária de cá. Mas uma coisa é fazer visitas uma vez por ano, outra é poder viver no sítio por algum tempo. A história do livro acontece em Pinheiro, era crucial fazer uma residência artística aqui”, justifica.
O jovem escritor de Alcanhões, distrito de Santarém, nasceu em 1990 e a sua escrita tem vindo a ser reconhecida desde que começou a publicar. Ganhou o Prémio Jovens Criadores, em Portugal em 2012, e o Prémio Liberdade de Expressão, no Brasil em 2014. Colabora em diversas publicações de Angola, Galiza, Moçambique, Portugal e Brasil. Em 2015 lançou o seu primeiro romance, “Os números que venceram os nomes” (Marcador), que questiona muitos dos problemas das sociedades contemporâneas, e um novo livro de poesia, “Ágora” (Livros de Ontem), que revisita os conceitos gregos da polis como forma de construir o futuro.
O romance atual tem o título provisório de “Plêiades” e “trata-se de uma história sobre um único dia da vida de uma mulher, que faz toda a rotina diária enquanto recorda memórias do passado, reflete sobre o presente e projeta o futuro, antevendo-o. Segundo ele “é um livro que procura refletir, acima de tudo, sobre a condição feminina ao longo do tempo, denunciar e pôr a nu a submissão das mulheres a um mundo estruturado em função de uma ordem masculina”.

“Um dos objectivos deste projeto é a valorização cultural do Planalto Beirão e por isso é tão importante eu estar aqui, pois só assim consigo falar com as pessoas e conhecer os lugares que frequentam e as histórias que têm para contar”, explica o escritor, que no final do projeto conta fazer uma apresentação pública em Carregal do Sal.