Arbitragem: mais quantidade e qualidade

A arbitragem no futebol português desperta muitas críticas devido às paixões clubísticas e à pressão exercida pelos poderes instalados no desporto e na sociedade. A verdade é que o nível qualitativo dos árbitros foi, provavelmente, o que mais evoluiu nas últimas épocas. A formação técnica que possuem proporciona-lhes melhores condições para o desempenho das funções e os intervenientes que as ministram são agentes desportivos com competências para o fazerem. Se a esta acrescentarmos as formações física e social mais a tecnologia – o resultado é um aumento na qualidade.
Não reconhecer o trabalho feito em prol da arbitragem e da evolução técnica dos árbitros no Distrito de Viseu, por exemplo, é de uma enorme injustiça. Existem mais e melhores árbitros. Nas competições não profissionais e de formação o nível exibido é bastante superior em comparação a anos passados. 
A formação pessoal do árbitro é fator decisivo para o desempenho da função. O árbitro é sempre a mesma pessoa, a mesma personalidade, num mar de paixões que «cegam» as condutas dos agentes desportivos e do público. Os árbitros não devem estar sujeitos a pressões além das normais de uma competição nem serem «bodes expiatórios”. No entanto, estes puseram-se a jeito e não estão isentos de erros, nem são inocentes pois permitiram durante décadas que as situações se sucedessem e apitos “mudassem” de cor. Ainda hoje não se entendem certas tomadas de decisões em jogos até com um grau de dificuldade baixo – em jogos da formação ou campeonatos amadores, com critérios desiguais para situações iguais, no mesmo jogo!
A base de todos os problemas da arbitragem está, sem dúvida, nas competições seniores. É nos campeonatos superiores que se recolhem todas as referências e se procuram os modelos. Desde atletas aos árbitros. Todos devem ter noção do que representam para muitos jovens.
A visibilidade que o futebol da primeira liga e principalmente os jogos dos grandes clubes proporcionam distorcem bastante a realidade da arbitragem em Portugal. A clubite exacerbada nunca vai deixar que o futebol seja um espetáculo desportivo de qualidade e apelativo. Daí uma liga profissional – a portuguesa, ter meio milhar de espetadores em jogos que custam muito dinheiro! 
Mas as maiores dúvidas instalam-se nas nomeações, na avaliação, nos relatórios e nos observadores. Enquanto não houver transparência e rigor as suspeições vão sempre continuar e os árbitros a serem os alvos perfeitos para justificarem insucessos.
No futebol português todos ralham porque ninguém tem razão. Têm objetivos próprios e não comuns. Quem de direito, aos árbitros deve-lhes «só» exigir que cumpram e façam cumprir, com rigor, imparcialidade e competência as regras e regulamentos. Os árbitros só devem preocupar-se com estas exigências.  São estas as situações que devem fazer refletir.
A marcação de uma falta, um fora-de-jogo e outros lances que são sucetíveis de erro têm de ser entendidos no instantâneo do jogo. Os ruídos destroem e só servem para as discussões dos pacóvios na televisão e para alimentar discussões saudáveis, nas redes sociais ou nos cafés. Esvaziam estádios. 
A verdade é que arbitrar é difícil e precisa de especialização e invisibilidade.
Vitor Santos
Treinador de futebol