O Caráter & Terroir estão de volta?!


Manuel Moreira – Somellier e Crítico de Vinhos

Todos as fases da vivência são reflexo de ciclos, mais ou menos duradoiros, e que em função dessa circular, mostram-se sempre numa bivalência entre o que era e o que é, o que agora é assim, amanhã já é de outro jeito.

No meu entendimento, depois de assimilar vários discursos e manifestos, começo a constatar que na actualidade, modernidade no vinho, significa voltar ao passado, regressar às raízes, reviver técnicas do passado que se julgavam ultrapassadas e votadas
ao baú das memórias. 
Depois de uma onda forte e vigorosa de modernidade e tecnologia, que ainda perdura, é entrecortada por conceitos mais clássicos, inspirados nos saberes do passado.
Embora esta forma de estar se manifeste um pouco pelas principais regiões, o Dão e os seus intervenientes não deixam de dar o seu contributo. 
Palavras chave como #@terroir; localização; vinha velha; castas recuperadas; Jaen; lagar; barrica usada; tonel; caracter; outrora, entre outras, fazem parte de um léxico bastante contemporâneo.
Alguns projectos que baseiam o seu conceito na individualidade de uma vinha, ou de uma fracção de uma propriedade, no regresso a castas que conferem um tom de distinção perdido, como tem sido a recente “notoriedade” da Jaen, produtores e vinhos de garagem, ou incursões de “forasteiros” de outras regiões, etc., tem como tradução – Interesse e Qualidade.
Ora, é esta mensagem, esta noção de diversidade, onde convivem lado a lado conceitos de modernidade e outros de algum classicismo, que valorizam a percepção e novo interesse nos vinhos da região. 
Neste ciclo, bem mais ao meu “gosto”, vingam os conceitos de carácter, vinhos que contam estórias, vinhos com história e intérpretes de guiões criados pela natureza e por saberes de outrora, trazidos à luz da actualidade.

Para mim, este momentum é sinal de vitalidade e confiança da região em mostrar uma nova fase da sua caminhada rumo ao sucesso.