IN VINO VERITAS – Viagens sensoriais pelo vinho na TABERNA

– Em PROVA grandes embaixadores do DÃO : Titular, Quinta das Marias, Quinta do Mondego

No vinho está a verdade : os antigos romanos diziam que a embriaguez soltava a língua e fazia a verdade vir à tona e com inteira razão. É a pureza, transparência e verdade do vinho que nesta nova rubrica iremos procurar descobrir, através de um roteiro sensorial que poderá servir também de precioso guia para os nosso leitores.
Viajámos até ao bairro da Lagoa Redonda, em Fortaleza. Ali descobrimos uma Taberna tipicamente Portuguesa, onde o Chef Amândio, natural da Figueira da Foz, mas que se assume, com toda a propriedade, como um cidadão do mundo, nos oferece uma vasta panóplia de iguarias da cozinha tradicional Portuguesa. Arrisco-me a dizer que em cada 10 mesas, na abertura de cada refeição, há pelo menos 8 chouriços de carne da Beira, temperados e colocados no fumeiro pelo próprio Chef, que assados nas típicas assadeiras de barro Portuguesas, são regados com a famosa aguardente de Cana de Açucar. Por momentos pensamos que estamos longe dos ventos alíseos do Ceará e a nossa mente viaja para as Beiras.
     Bacalhau é um dos pratos fortes da TABERNA – à brás, com natas ou à lagareiro direcionam-nos de novo para terras Lusitanas. Já o disse ao Chef Amândio : não é fácil encontrar em Portugal um bacalhau à lagareiro (para mim o melhor prato do fiel amigo) com uma confeção e qualidade tão irrepreensíveis. O pão caseiro, a chanfana e o pastel de natal são  outros atrativos gastronómicos imperdíveis, numa casa que fazendo juz ao nome, prima também pela limpeza (saliento os WC) e pelo conforto, com a contagiante e alegre atmosfera Brasileira. 
Neste jantar o Chef Amândio resolveu convidar alguns clientes/amigos, a maioria dos quais Portugueses, para ao som do violão e da voz do fadista Camané, degustarmos alguns néctares do Dão. Os casamentos que fizemos não podiam ter sido mais felizes. Desde jornalistas, a gestores hoteleiros e professores, todos foram unânimes em considerar que as iguarias casaram na perfeição com os vinhos em prova. Abrimos as hostilidades com o Titular Espumante Baga 2013 – e que entrada auspiciosa. O novo espumante do produtor Caminhos Cruzados, é de uma frescura notável. Sem dúvida que fazer espumante com Baga é outra fruta !! Das conversas à volta do vinho que tivemos durante o jantar, ficámos a saber que o Dão foi oferecido aos Romanos em ânforas. Enquanto o Henrique, diretor do campo de golfe do Aquiraz Riviera – maior complexo hoteleiro do Brasil – nos contava boas estórias da história do vinho, decidimos colocar em prova o Quinta das Marias Branco Encruzado Barricas 2011 com o atrás referido chouriço de carne e alguns enchidos de porco preto que nos foram colocados à frente pelo Chef. Inusitado poderiam dizer alguns, maravilhados ficaram todos com este casamento. O corpo, acidez, estrutura, complexidade e grande elegância, com uma notável concentração de aromas e um fim de boca prolongado, tornam este néctar do Suiço Peter Eckert, que fermenta integralmente em barricas novas, com levantamento de borras, uma grande embaixador do Dão em qualquer parte do mundo. Avançámos então para o prato principal – um soberbo arroz de pato, tipicamente Lusitano, que ainda degustámos com o final do Encruzado da Quinta das Marias mas já a entrar no fino, fresco e elegante Quinta do Mondego Rosé 2011, um vinho rosado vibrante, elaborado a partir das uvas tinta roriz e touriga nacional (plantadas nas Caldas da Felgueira), com cor intensa, muita fruta madura e robustez, que fez alguns presentes, desconfiados, passarem a apreciar um bom vinho rosado.