O vinho do Dão a Copo

Na actualidade, o Vinho a Copo tem sido fortemente incentivado, sendo promovido como uma forma de consumo inteligente, moderado e permitindo maior versatilidade no seu consumo, especialmente nos espaços de restauração e bebidas (hotéis, restaurantes, wine bars, etc.).
Desde sempre, houve um elemento crítico deste tipo de proposta. Como conservar a garrafa de vinho, que se abriu, mas que não foi totalmente consumida em tempo útil. 
Ora, com esta inquietação a pedir resposta atempada, começaram a surgir vários sistemas de retardar a deterioração do vinho da garrafa aberta. 
Como em muitas outras situações, a resposta somente contemplou alguns ângulos.
Ou seja, descurou-se o facto de existirem vinhos que naturalmente não são os mais indicados para serem trabalhados a copo. Não são porquê? Porque em muitas ocasiões as escolhas recaem em vinhos, por segurança e menor prejuízo, menos ambiciosos. 
Um dos argumentos desses vinhos, é a falta de elementos “estruturantes”. Acidez, álcool equilibrado, assim como o facto de serem muito exuberantes e imediatos. 
Algo que, na minha experiência que ultrapassa década e mais qualquer coisa a trabalhar com Vinho a Copo, cedo me apercebi. 
Ou seja, devo evitar pensar em conservação do vinho aberto para a oferta a Copo, e preocupar-me, mais, em propor vinhos de qualidade e que tenham bons argumentos naturais que permitam explorar esse tipo de oferta. 
Eu chamo-lhes vinhos com resistência natural. 
Como testemunho, tendo neste primeiro mês de Janeiro vinhos do Dão abertos mais de 2 semanas em casa e sem qualquer preocupação de conservação especial, apercebi-me de que estes estavam em muito boa forma, reagindo positivamente depois de abertos.
A sua frescura natural, taninos frescos, e o facto de não serem muito exuberantes, fundamentos que favoreceram a sua  “resistência”.  
Este facto, poderá e deverá ser aproveitado para comunicar os vinhos do Dão, dentro das novas tendências de serviço do vinho, com o Vinho a Copo, a ser alvo dos holofotes. 
Os vinhos eram: Quinta das Maias branco 2010, Quinta da Fonte do Ouro Reserva 2010 branco e vários da Quinta de Lemos. 
Manuel Moreira – Escanção